Violência contra crianças.

Estive entre os dia 26,27 e 28 de maio de 2016 no XXI ENAPA (Encontro Anual de Apoio Á Adoção),em Caxias do Sul, brilhantemente coordenado pelo Grupo de Apoio à Adoção Instituto Filhos e ouvi uma palestra que me inspirou a escrever este artigo. A palestra, entre outros itens, nos trouxe a reflexão do relacionamento agressivo entre adultos, crianças e adolescentes.

 

Violência é um ato de domínio, tratando o outro como objeto desqualificado. É uma forma de força, seja física, moral ou psicológica. É o uso do poder de um sobre o outro, não somente adulto x criança ou adolescente mas mesmo entre adulto x adulto.

A violência mais difícil é a psicológica, a que fica e marca a pessoa. A agressão física dói, mas passa e a dor emocional permanece acompanhando o indivíduo pela vida.

Negligência é a falta de atendimento ao filho que ocorre não só  entre a população  sem condições de vida digna ( nem todos !) mas também  em classe social abastada. Não cuidar da saúde, não levar para escola, aceitar que o filho “ mate a aula”, acompanhar os estudos, não atender a higiene.

Os maus-tratos podem ser psicológicos, físicos ou sexuais.

Maus-tratos psicológicos  acontecem com a humilhação do outro, as desqualificações, discriminações, comparações, submeter à situações vexatórias, enfim, tudo que irá comprometer sua integridade emocional e afetiva.

Maus-tratos físicos são os puxões de orelha, palmadas, socos, surras, bater com cintas, pedaço de madeira, queimar com cigarro ou dar pontapés.

A violência sexual não é só o estupro ,sexo oral mas também fazer toques nos genitais, carícias, mostrar figuras ou filmes pornográficos, adultos tendo relações sexuais na frente das crianças e uso de vocabulário obsceno. Todas estas situações são marcantes na vida de uma criança e causam sofrimento escondidos na alma, deixam cicatrizes que podem se atenuar com tratamento terapêutico.

Por esta razão as crianças são retiradas das famílias e acolhidas nas Instituições de Acolhimento (abrigos).

Por que os adultos agridem as crianças ? Isso ocorre devido a repetição do comportamento culturalmente aprendido (mais estresse, etc).Os pai batiam e xingavam e estes adultos sobreviveram  dizendo que isto  serviu  para os educar, repetem estas atitudes, entendem como algo correto que poderá ser repetido  com os filhos.

Muitos adultos dizem que “ apanharam e aprenderam” e que mantém os laços afetivos com os pais.

Geralmente o filho desejado recebe melhor atendimento dos pais do que os que chegaram sem planejamento, claro que cada caso é um caso. No entanto a maioria dos adultos não tem conhecimento ou orientação sobre o desenvolvimento infantil e suas características ou necessidades e a consequência   é o uso da violência.

Precisamos implantar o “Curso de reflexão para futuros pais consanguíneos”. Há curso oferecidos mas são mais ligados aos primeiros cuidados.

Certa vez, ainda quando exercia meu trabalho profissional, anos 80, num Congresso de Educação Sexual Escolar, sugeri que  a “ educação para a formação de famílias” deveria fazer parte do ensino médio, ou promover uma semana da família direcionada aos jovens .Quase fui expulsa do evento ! Continuo com esta ideia pois muitos jovens de 15 anos já são pais. Não adianta prepará-los apenas para o vestibular. A escola deveria pensar ,mais ainda, sobre a educação para a vida.

 

 

 

 

Mãe, mãe-pai, pai-mãe!

Maio: mês das mães, mês da adoção. Do latim MAIUS, mês dedicado à deusa MAIA, filha de Atlas e mãe de Mercúrio, quando os cultos de louvor ocorriam na primeira quinzena de maio.

Mês de festejar todas as mães: as negras, as brancas, as pardas, as índias, as ricas, as pobres, as vovós que se tornam  mães dos netos, as madrastas, as professoras, meio  mães de alunos, as que já vivem no espaço espiritual. A mãe que gerou e entregou seu filho para que outra mulher se tornasse mãe!

Homenagem também para aquela mãe desestruturada, drogada, que “não teve colo”, apoio e não sabe ser mãe.

Mãe: apenas três letras. Mulher-mãe, homem–mãe, fortes no amor e na dedicação, frágeis diante de sua missão.

Há mães amigas, há as que vivem numa solidão e esquecida pelos filhos, há as que dão a vida pela vida ,as que abandonam ,as que criam, amam, adotam e são chamadas pela LEI de “substitutas”.

Mãe esposa, mãe feia ou bonita, jovem ou idosa, doente ou saudável, doce ou amargurada, alegre ou triste, educadora, não importa  o adjetivo – é mãe!

Nenhuma mulher é mãe por acaso, tem um lugar para ocupar e uma missão para realizar. Não é mera expectadora do desenvolvimento do filho, não é um ser sublime, não é padecer num paraíso, é um ser que deve se atualizar e se dedicar na formação de um ser que irá exercer sua cidadania cercado de valores morais.

A mãe adotiva, a nova mãe, é aquela que busca o exercício da maternidade para realizar e construir a vida de uma criança que se torna FILHO.

Mãe adotiva é aquela que busca, espera muito, tem uma longa gestação psicológica, até por anos e será chamada de “ mãe adotiva”. Não ! é MÃE!

 

 

Adoção homoafetiva

Para que uma adoção se realize há necessidade de seguir os trâmites legais: documentos, entrevistas e frequentar a preparação ofertada pelos Técnicos Jurídicos e Grupos de Apoio.

Será observado os requisitos legais como condição de exercitar o papel de pai/mãe, boa conduta, padrão moral, cultural e espiritual, a real motivação e as vantagens para a criança que é a prioridade.

A orientação sexual dos pretendentes não é obstáculo para se indeferir um processo adotivo. Pela Lei 12010?09,Lei Cleber Matos, no artigo 37,segundo parágrafo encontramos: “para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a unidade da família”.

A Lei  fala na adoção conjunta e não diz se esta união terá que ser entre um homem e uma mulher, dois homens ou duas mulheres.

A homossexualidade não determina a evolução da identidade sexual dos filhos. Lembramos que são casais heteros que geram filhos homoafetivos. A sexualidade  não impede  o potencial de prover uma criança com  recursos  materiais e pessoais.

O sexo  é um sentimento pelo qual nos percebemos homens ou mulheres  e está no nosso principal órgão sexual: o cérebro ! O relacionamento genital chama-se coito.

As pessoas, sejam homo ou heterossexuais não escolhem a orientação sexual. Não é opção voluntária e sua descoberta gera angústia, medo e ansiedade.

O amor dedicado aos filhos não está ligado ao sexo dos pais e nem aos laços de consnguinidade.

O maior problema  com a adoção homoafetiva diz respeito ao preconceito social. As atitudes discriminatórias acompanham os pais e o filho, por isso, esta adoção exige grande preparação dos adultos bem como da criança ou adolescente  que será filho.

O preconceito entre as crianças ocorre devida a educação transmitida pelos pais e  influência dos adultos.

Há os que alegam que numa adoção homoafetiva faltará o elemento masculino ou feminino. Os pares homoafetivos tem família: existem avós, tios ,primos e amigos.

Portanto uma criança adotada por pares homoafetivos tem plenas condições de desenvolver-se sadiamente não havendo  nenhuma predisposição a ter qualquer problema emocional.

As pessoas “herdam” a história de vida de seus pais, não a orientação sexual. A realidade é que vivemos novos tempos, com uma nova realidade social, política e cultural, e é preciso nos adaptar e captar as novas formas de viver os relacionamentos fundamentados na afetividade.

Adoção e Pais Alinhados no Desejo de Adotar

A adoção de um filho poderá ser feita por uma pessoa, seja homem ou mulher, solteiro(a),viúvo(a), divorciado(a),contando que sigam o que a Lei 12010/09 prevê. No caso de um casal ou um par homoafetivo, o desejo da adoção deverá ser “ um desejo firme dos dois”.
Os dois devem estar alinhados, conversar muito, decidir e concluírem que é um querer sincero e para sempre, um compromisso responsável. Quando um deseja o filho e o outro “ apenas” concorda, a adoção será fracassada e o prejuízo sempre será para o lado que mais precisa:o filho que normalmente será devolvido.

Sempre dizemos que a adoção é um ato ESPONTÂNEO e VOLUNTÁRIO. Ninguém obriga um pretendente buscar a adoção. Irá porque quer, porque assim decidiu. Então precisam se preparar, ler, estudar, conversar, frequentar Grupos de Apoio, levar a filiação adotiva com compromisso.

A preparação dos pretendentes não se limita a um mini-curso ou palestras. É um ato contínuo mesmo depois da chegada do filho. Existem Grupos de Apoio com ofertas de propostas de “ pós-adoção”, ou então, buscar terapia. A terapia deveria ser uma exigência para os pretendentes. Os casais se conhecem como “marido e esposa”.Com a chegada do filho irão se reconhecer como “ pai e mãe”.

O casal irá reviver seu romance familiar da sua infância, como viveram, como foram educados e este “ reconhecimento novo” poderá gerar conflitos entre eles e culparão o filho pelo desencontro entre os dois. Cada um deseja educar como foi educado e as diferenças entre as formas de educação aparecerão. Se existem já outros filhos, sejam adotivos ou consanguíneos exigirá maior preparação pois a chegada de um novo membro atingirá os já existentes.

Durante a espera pelo filho poderão escrever um relato de como foram educados ,discutirem ,se mostrarem e com isso se conhecerão com mais profundidade e construirão um projeto educativo para o futuro filho. O alinhamento do casal envolve também a família extensa: avós, tios, que muitas vezes darão “ palpites educativos” ou comentários preconceituosos. O maior preconceito em relação ao filho que chega vem da própria família e amigos próximos. Quem não sabe que o filho foi adotado o tratará como criança ou adolescente que é.

 

Adoção e os símbolos natalinos

Estamos no período de NATAL. A palavra NATAL quer dizer nascimento e originou-se do latim. É uma festa sem fronteiras, o culto do nascimento, da ternura, da vida e da reflexão.

Em termos de ADOÇÃO também acontece um imenso NATAL quando nosso filho chega.

Antes do Natal temos o ADVENTO, isto é, antes da vinda, tempo de preparação e são representados pelos quatro domingos que antecedem o NATAL. As famílias enfeitam a casa, fazem orações, seguem suas tradições culturais…

O ADVENTO da ADOÇÃO também é a preparação, a espera pela vinda do filho. É uma longa espera que precisa ser muito bem preparada. Quarto? Roupas? Não. Isso faz parte mas fica para mais tarde. Preparar os adultos, frequentando os Grupos de Apoio, lendo, se informando, ouvindo depoimentos. Entendendo o que é ser pai/mãe e conhecendo as características das crianças nas diversas idades.

A ÁRVORE DE NATAL, normalmente o “pinheiro” árvore que cresce verticalmente, intermediária entre o céu e a terra. É a grande tradição do Natal. A lenda diz que Deus deixou o pinheiro com folhas ásperas, fazendo-o sempre se lamentar. Para reparar o mal e para que a árvore parasse de se queixar, tornou-o o único vegetal que conserva suas folhas no inverno e que pelo menos uma vez ao ano teria o brilho das luzes. Isso nos lembra a vida e a imortalidade.

Árvore lembra a vida, somos seus ramos e nossos filhos são os frutos. Teremos que ser, pais fortes, sábios, amorosos para que nossos frutos recebam nosso exemplo para saberem construir suas vidas.

As BOLAS COLORIDAS simbolizam as graças recebidas, representam os frutos da árvore da vida. As bolas refletem nossa imagem, nossas atitudes. Iremos refletir estas atitudes nos nossos filhos pelo exemplo de daremos.

Na nossa árvore de natal sempre existe uma ESTRELA na ponta. Representa a ESTRELA de BELÉM que guiou os reis magos até a manjedoura de Jesus. Somos estrelas na vida de nossos filhos?

As mesas natalinas normalmente tem VELAS que lembram a LUZ DIVINA. A chama cintila, serpenteia e ilumina. Assim também é a nossa vida familiar: momentos luminosos e outros que devemos alimentar com “sopros” para manter a direção e o caminho para nossos filhos.

O PAPAI NOEL lembra o pai bondoso, aquele que doa. Adoção é doação. O Papai Noel vive dentro de nossa alma representando o amor. Se é uma fantasia ou um ser mágico, é um ser capaz de unir a humanidade em torno de coisas boas: amor, ternura, paz, sentimentos, carinho e gestos.

Na infância de cada um existe um Papai Noel, com alegria no coração, esperança para a alma, com a vida como maior presente.

Somos nós, um presente para alguém?

O PRESENTE DE NATAL é uma tradição inspirada em Melchior, Gaspar e Baltasar que presentearam o Menino Jesus sendo uma expressão de nossos sentimentos por alguém. Muitas vezes os presentes substituem a atenção pessoal que deveria existir: dos pais em relação aos filhos. É algo para ser refletido por todos.

O PRESÉPIO foi montado pela primeira vez por S. Francisco de Assis, em 1223 nas região de Greccio, Itália. Montar o Presépio como “decoração natalina” nada significa. Deverá, sim, lembrar a FAMÍLIA. Família consanguínea, adotiva, só com pais, só com mães ou apenas um pai ou uma mãe, mas a família que se dedica para a construção de vidas.

O PRESÉPIO DE JESUS nos remete ao valor da simplicidade, docilidade, fé e esperança. O Presépio nos lembra a importância da família dedicada aos filhos pois a filiação é sempre um ato de desejo do adulto. Por isso a filiação é para sempre!

Que nosso NATAL seja abençoado!

Texto construído com auxílio do meu livro” Natal Especial” -Vozes. (Ver a capa em PUBLICAÇÕES—neste site)

Adoção e o dia da saudade

Na “coluna mensal” deste novembro vamos refletir sobre o que o calendário nos traz. Inicia com o “Dia de todos os santos” seguindo pelo dia de finados que prefiro chamar de DIA DA SAUDADE.

Saudades dos que partiram antes de nós ou simplesmente NASCERAM para outra vida. Acredito que assim é bem melhor.

No nosso dia-a-dia finalizamos algumas coisas e outras nascem nos trazendo sonhos e esperanças. Assim nasce a ADOÇÃO depois de finalizar um ciclo ligado geralmente com a descoberta da infertilidade ou esterilidade. Será um “dia de finados” na vida do casal. Mas será um tempo sem saudades das dificuldades passadas, das dúvidas, incertezas e decisões.

A Esterilidade ou infertilidade “doença quase sempre “intratável” pode estar presente em apenas um membro do casal e o outro precisa renunciar a sua fertilidade. Dói? Sim causa muita dor, revolta, medo, ansiedade, dúvidas. Instabilidade emocional, inferioridade, fracasso. Muitos casais até se isolam, não comparecem nas reuniões familiares onde podem ser cobrados por algo que não podem explicar. Tudo se assenta com o passar do tempo.

Descobrindo a impossibilidade de gerar surge outra questão: adotar ou não adotar? É uma decisão que não é a mesma para todos. Dúvidas, preocupação em satisfazer o parceiro, se forem casal. Discutir muito, conversar francamente e ver se serão capazes de exercitar a paternagem verdadeira.

Importante reflexão se faz necessária: desejam um filho ou apenas encobrir a infertilidade? A presença do filho adotivo irá lembrá-los da dificuldade de gerar? Isso irá repercutir na adaptação do filho e no sucesso do pós–adoção.

É a hora de se pensar na real motivação do casal (se casal). Luto mal elaborado, desejo de substituir o filho não gerado, sentimento de orfandade?

Adotar uma criança não é simples. Idealização excessiva em relação a este filho que precisará ser aceito são questões reais. O pretendente precisa desligar-se do filho não gerado para amar o que virá, renunciar a essa gravidez que não aconteceu ou à descontinuidade genética, reagir para assumir o papel de pai e não tornar a criança depositária de suas insatisfações.

O sonho de um casal é interrompido pela infertilidade ou esterilidade. Fase difícil, diálogo amortecido, ciclo natural esperado interrompido. A mulher eternizada pela ausência da barriga gestacional, o homem pela potência sexual ameaçada, identidades pessoais em conflito representando o ranço de uma época com educação machista. Encarar a realidade: somos todos seres que buscam a felicidade e tentam evitar o sofrimento. Ter coragem, determinação e desejo de encontrar um caminho para serem pais, no caso, a adoção.

Os pretendentes vivem um momento difícil, com sentimentos diversos desde insegurança, ciúme dos casais com filhos, alegria, confiança, tristeza na época de dia das mães, pais, decepção e amor. Será uma longa gravidez psicológica pela espera de um bebê envelhecido na instituição.

A adoção é um projeto de vida: planejado, incorporado em nosso ser.Com muita certeza e com consciência que terá conflitos e alegrias depois que o filho chegar.

Para que a filiação seja real, com sucesso, devem aceitar a ideia que “foram escolhidos” para serem pais pela via adotiva. Por isso o amadurecimento deste desejo é fundamental pois não há possibilidade de uma “arte final” para termos um filho ideal: filho que corresponda ao imaginário construído.

Adotar sem estar preparado, pronto, decidido, irá gerar estresse e o pós-adoção estará fadado ao fracasso. Seguir os passos necessários com calma. Lendo, conversando, analisando, preparando os familiares e amigos.

Os futuros pais tem o dever de se comprometer e cumprir o projeto assumido tanto os pais como o filho que chega tem uma história de vida anterior a esse encontro: um não poderá mudar o passado do outro mas poderão construir juntos o futuro.

Pra a construção de um futuro feliz será preciso que, se forem casal, um não esteja apenas contemplando o desejo do outro.

É preciso aceitar essa criança, filho, que não terá o desenvolvimento imaginado, que chega pela mão do Judiciário e sem manual de instruções. As descobertas mútuas serão diárias. Esses pais serão os responsáveis pela visão que a criança terá do mundo e ela se posicionará na sua vida conforme o que lhe foi transmitido.

Não existem impedimentos para serem pais. Todo ser humano deseja realizar-se plenamente, porém, a vida é um jogo com riscos e oportunidades Transformar o desejo abstrato numa realidade sólida e concreta dependerá dos adultos.

Para uma pós-adoção trabalhosa mas satisfatória, os pretendentes devem estar conscientes que irão construir a cidadania de uma criança, com disponibilidade de doar-se integralmente, atendendo as necessidades básicas e influenciando positivamente na vida desses que esperam ser filhos.

Muitos pretendentes se preparam com entusiasmo e sabedoria. Entendem que precisam ler sobre a arte de educar e sabem que serão modelos na vida do filho. A preparação deverá incluir a família extensa (avós, tios, primos, até os vizinhos) para que haja uma sintonia no projeto em pauta.

Este momento de decidir pela adoção e buscar o caminho para concretizar seu sonho é um momento de transformar a vida para uma nova fase de crescimento e construir um espaço psicológico para acolher o filho que virá!

(Texto construído com fragmentos do meu “PÓS-Adoção” – Juruá)

Afeto : mola principal no processo adotivo

Afeto e emoções estão ligados à nossa vivência pessoal e à percepção do que sentimos em determinadas situações. São expressados pela fisionomia, ritmo cardíaco, postura, gestos.

Afetos dão significados e nos preparam para uma ação, uma espécie de equilíbrio entre o corpo e o meio, surgindo de forma inconsciente. São percebidos pelas pessoas e nascem como resposta a uma situação ou contatos com outros.

Dar e receber afeto são combustíveis que nos orientam para a felicidade e segurança, proporcionam relações familiares saudáveis e equilibradas. É manifestação pessoal, não temos possibilidade de medir nem selecionar, é individual.

O afeto é a mola principal no processo adotivo, particularmente no pós-adoção. As memórias do que vivenciamos, observamos ou participamos vão se armazenando e formando nossos padrões comportamentais, tanto para os pretendentes como para o filho que passou pelas privações sociais.

Nós, seres humanos, comparados a outras espécies, nascemos desamparados, precisamos ser cuidados e nos desenvolvemos durante a infância e adolescência. Temos que aprender comportamentos, relacionamentos e controles educacionais diversos.

O afeto forma os eixos maiores que o grau de parentesco, pois não depende dos laços sanguíneos. Não existe a obrigação de amar o filho só porque nasceu de seu útero. A criança deseja e precisa ser o sujeito do afeto. Não sabe o que é família e amor familiar. O afeto é espontâneo, livre. O sangue é físico e o afeto é espiritual. Família sem afeto se desintegra totalmente.

No pós-adoção o afeto será construído e garantirá o sucesso da filiação, ao longo de um tempo de convivência. Serve para construir laços, dá potência ao relacionamento, se baseia nas atitudes dos que cercam o filho.

Nessa viagem adotiva, no depois que o filho chega, será preciso acolher, enfrentar, desenvolver uma relação afetiva para que a criança confie, acredite e se entregue totalmente.

Os problemas do desenvolvimento afetivo são observados na criança com dificuldade do sono, desobediência, não acompanham a rotina estabelecida, surgem as birras, ansiedade e conflitos familiares diversos.

A falta de afeto provoca danos no desenvolvimento da criança, traz instabilidade emocional. Por isso que as crianças, sendo bem adaptadas depois da adoção, geralmente se desenvolvem muito graças às vinculações afetivas e cuidados.

Criança e adolescente que busca aceitação “compra afeto” até com pessoas alheias à família, como na escola, dando seu lanche ou pertences para coleguinhas.

Os pais precisam acolher o filho, seja genético ou adotivo, dar atenção, usar delicadeza, evitar críticas. O amor se constrói no dia a dia, com ações, palavras, pequenos gestos. Se existe dificuldade, procurar ajuda terapêutica para corrigir os problemas de relacionamento afetivo familiar.

O mais importante será ‘sentir’ a criança ou adolescente, ter disponibilidade interior para amar e proteger, justamente os sentimentos que calcam ou suplantam os laços sanguíneos. Nada deverá ser mais importante que o sujeito que é o foco deste amor.

Depressão no pós-adoção

Os pretendentes lutam muito para conseguir adotar um filho: a organização dos necessários documentos, a preparação e a longa espera. Finalmente serão chamados. Que alegria!

A depressão após a chegada do filho nem sempre acontece e se ocorre não é revelada. Acomete geralmente a mulher. Como contar que estão angustiados se conseguiram o que mais queriam? Será essa uma das causas por que alguns interrompem a adoção?

Levinzon:

 

Na depressão pós-adoção, não há mudanças hormonais, mas pode acontecer que os pais tenham depositado tantas expectativas na chegada da criança que se sintam desanimados ou derrotados diante dos desafios diários de criar o filho recém chegado. Se isso acontecer, a ajuda de um profissional capacitado pode ser de extrema valia, ..tanto para a mãe…quanto para a criança… (p. 45)

 

O filho em casa e de hora para outra a rotina mudará. Leram muito, ouviram depoimentos e se surpreendem com a luta diária, com a mudança. O marido era o “xodó” da esposa e perde o lugar para quem chega. Se sentirá em segundo plano e poderá culpar a criança.

Licença-maternidade dos pais, tempo maior para a mãe que trabalha profissionalmente, onde é prestigiada, e agora irá ficar em casa atendendo o filho que a olha desconfiando, faz birra, chora. Outra pessoa poderá tomar o lugar dessa mãe na empresa? Seu novo diploma é ser mãe.

Junto com a alegria pela chegada do sonhado filho vem a insegurança. Seus medos afloram: poderemos dar conta de educar? Será que surgirão problemas emocionais ou genéticos? Quanta dúvida misturada com emoções gratificantes.

Se inicia um novo tempo: ansiedade da espera é trocada pela ansiedade da chegada. Quanta responsabilidade não prevista e imaginada: num um pequeno ser sob sua tutela.

Alguns pais não sentem amor imediato, não conseguem uma ligação rápida e se angustiam. O filho foi lhes indicado e talvez devesse ser o contrário: o filho escolher os pais pelo encontro do olhar. O amor é uma conquista, uma escolha.

Sentimentos contraditórios e confusos, particularmente da mulher, que pode ter dúvidas do seu instinto materno. Busca o apoio do marido, que já terminou sua licença paternidade e voltou para o trabalho. Sente culpa pelos seus sentimentos.

Os pretendentes tinham muita expectativa durante a espera e o filho que chega não correspondeu ao que esperavam. Preferiam menino, veio menina, queriam de três anos e veio de seis, sonharam com um príncipe ou uma princesa e chega uma criança real, diferente do que imaginaram. Fazem comparações com outras crianças da família, vizinhos, vem a frustração que não pode ser revelada para ninguém. O que fazer se não corresponde ao esperado? O que vão pensar deles?

Familiares questionam, dão palpites, fazem visitas inoportunas. Pais são pressionados e pressionam o filho. Descobrem que não são superpais, perdem energia, não tem suporte familiar e não buscam ajuda. Alguns acham que buscar ajuda demonstra fracasso, incompetência. Pelo contrário: solicitar ajuda demonstra o desejo da paternagem dar certo.

Tudo isso gera estresse, impaciência, exaustão, insônia. Há uma perda de humor e a resposta social é negativa. Depressão! Humor negativo, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, variação do peso para mais ou para menos. Culpa, vergonha, indecisão, fadiga, medo do desconhecido são sinais de alerta.

Muita emoção, muita novidade para aprender a lidar. Parece que haverá um surto! Tudo vem devido a expectativas, perda da rotina e falta de domínio das rédeas que antes mantinha tranquilamente.

Certas emoções básicas do ser humano ficam inconscientemente arquivadas, como a raiva da espera demorada, ansiedade, tristeza de ver que outros já receberam o filho, medo. Isso irá provocar o choro, cansaço e até a fome incontrolável (muitas novas mães engordam, enquanto outras emagrecem). O metabolismo se altera devido às mudanças externas sofridas. O cérebro fica entristecido e virá a depressão.

O importante é não esperar muito para a busca de ajuda, com humildade, com desejo de solução. Não se sobrecarregar, dar espaço para a criança que chegou e deverá se acostumar com a casa e seu ritmo. Ser flexível. É realmente um período de turbulência.

Os pais estão cansados de tanto esperar pela chegada do filho e quando esse chega se preocupam com o papel de serem pais.

Acordam para uma realidade tão esperada e quando acontece se assustam como se fosse um “ inesperado fato”.

Com a passagem do tempo tudo se acomodará. Será preciso investir no desejo para dar certo. Ir em busca de socorro adequado e rápido. Evitar acumular tensões e irritabilidade. Viver um dia após o outro. Todos adotantes enfrentam dificuldades, bem como todos os tipos de pais.

O filho será filiado e irá mudando com a idade e desenvolvimento e, principalmente, essa mãe angustiada será uma mãe de fato. O filho se insere na família, onde receberá um novo sobrenome. Nova história se constrói. Com os filhos gerados, biológicos, é a mesma coisa. Choram, desobedecem, desafiam, fazem birra, irritam e as mães se deprimem do mesmo jeito. Isso é vida e será sempre assim…

Referência

Levinzon,G.K.(2014)-“Tornando-se pais-a adoção em todos os seus aspectos”-SP-Casa do Psicólogo.

Ser Pai

Agosto chegando e traz junto a comemoração pelo “ Dia dos Pais” Inicio com as palavras dos pretendentes Sérgio e Isabel que sonham com a paternidade/maternidade.

GRÁVIDOS JUNTOS

“Perto dos sessenta anos, estou na fila para adoção. Eu e minha mulher combinamos ficar grávidos juntos. Não queremos uma gravidez comum, até porque não temos mais idade para isso; queremos uma gravidez envolvida e envolvente. Estamos assim há dois anos. A barriga da ansiedade vai crescendo. Contamos segundo a segundo e sofremos com as aflições da espera: o telefone que nunca toca, o convite para os finais de semana compartilhados que nunca chegam. Escolhemos nomes que ainda não são usados, roupas que serão vestidas, lugares da casa que serão preenchidos. Olhamos todas as noites no quarto da nossa criança a cama vazia, mas pronta e acalorada pelos nossos sonhos. Gravidez que é gravidez acontece dia a dia. O parto é agora, sempre e constante. Parimos amor e isso é o passaporte para a felicidade. O resto é vento”.

Pais-cr

Com a chegada de um filho se inicia um novo tempo: serão pai e mãe. Emoções fortes, alívio pelo final da espera ansiosa e demorada. Iremos nos amar? Tudo tem um tempo para acontecer. Dúvidas? Serão muitas. Medo? Sim, medo e incertezas chegam junto com o filho, mas com o passar do tempo virá a segurança.

A euforia inicial se transformará em preocupações, erros e acertos, descobertas, até choques com a nova realidade que surge. Exaustão e alegria se fundem. Se inicia a vida de pai e mãe… Para sempre!

Ou ainda Cardoso, V. L e Baiocchi, A. in Ladvocat e Diuana:

Tornar-se mãe ou pai por meio da adoção assemelha-se muito ao processo da gravidez biológica, mas com uma gestação de caráter focado no componente emocional. Seja na elaboração da decepção frente à descoberta da infertilidade, no desconhecimento sobre os procedimentos jurídicos, no enfrentamento de preconceitos e resistências de pessoas próximas, no medo do mito de que “todo filho adotivo é problemático” ou na necessidade de se conscientizar acerca dos processos e especificidades da construção da família adotiva. (p. 55)

Quem é esse PAI? A criança adotiva tem pouco contato com homens e até se assusta com esse indivíduo que será seu pai: um homem com voz grossa, barba, peito peludo e pés grandes.

Sentimentos e emoções se atropelam no coração desse indivíduo que tem seus limites pessoais e que agora é pai, genitor ou progenitor. Terá que gerar sentimentos de paternidade, ser forte, conselheiro e responsável por esse filho. Nova vida, novo colorido, nova visão.

Balancho, ao falar do ser pai hoje, nos brinda com seu pensamento:

Quando se é pai sem dar vida biológica – ao adotar uma criança ou ao receber num novo casamento os filhos da atual parceira – a sua função é aparentemente mais restrita, mas não menos importante. Centra-se, naturalmente, mais nos aspectos social, emocional e educativo, em detrimento do biológico. (p. 22)

Pai é a primeira pessoa mencionada na Santíssima Trindade: “Em nome do Pai e do…”. Quanta grandiosidade!

Sua figura é homenageada no segundo domingo de agosto, quando acontece o “Dia dos Pais”, desde 1953, data atribuída ao jornalista Roberto Marinho para incentivar o comércio e o faturamento do seu jornal.

A notícia mais antiga sobre um cartão para um pai, feito em argila, vem da Babilônia, feito por Elmesu.

O pai atual se entrega mais, se doa e está se libertando da antiga imagem de ser apenas o “provedor” da família. Já mostra suas emoções, participa, leva o filho para a escola, ajuda, é participativo, interage, se envolve, é disponível. Isso está confirmado por Balancho, (p. 51) “Deseja-se presente, marcante, reconhecido. Brinca, trata, dialoga, tudo faz para não ser um elemento externo à vida dos filhos”.

O pai precisa abrir espaço para entrar no coração do filho, terá que aprender a vivenciar seu novo papel. Tal como a esposa, está desgastado pela espera, pela fala jurídica, tem que ter persistência para conquistar e rever suas dúvidas.

Precisa estar preparado para amar e não poderá bruscamente “enquadrar” a criança em sua vida. Percorreu muitos caminhos e obstáculos para adotar e agora deve assumir o lugar real de pai. Terá que aprender a ser ouvinte, modelo de vida, estar atento, ter equilíbrio e disposição.

É apenas um ser humano que teve esperanças e não poderá exigir que seu filho o compense pelos seus possíveis fracassos, nem esperar que ele siga seus passos profissionais.

Os pais não são “amiguinhos” dos filhos, serão pais. Servem para a manutenção do relacionamento familiar, de respeito, confiança presença, paciência e muitas coisas mais. Bons pais não são os mais ricos, os mais estudados, mas aqueles generosos, verdadeiros e que oferecem segurança afetiva aos filhos.

O amor dos pais não é instintivo. Precisa de conquista, investimento diário, aprendizagem, ousadia e enfrentamento do imprevisível.

Sim. O tempo passará. Os filhos crescem e se temos um diálogo saudável na infância ele se prolongará vida afora. Haverá saudades e pelo meio do caminho, quando eles serão adolescentes, nós seremos os que nada sabem e os faremos “pagar os micos”. Foi assim e sempre será!

O filho que chega pela via adotiva não sabe o que é pai e mãe. Para muitos é apenas o “nome” desses adultos, que serão responsáveis por ele. A criança não tem a imagem real do significado e do papel do que é isso.

Os pais devem estar disponíveis para acolher o filho.

Esses novos pais, novos por acabarem de receber o filho, embora na idade real os pais adotivos nem sempre o sejam. Hamad (p. 69), “Depois de uma montanha de anos, o investimento do casal numa criancinha é vivido como um nascer de sol, enfim, como um projeto que vem, de repente, reconciliar com a vida”. Segue dizendo (p. 78) “Há o filho que os pais teriam querido ter, aquele que se teria querido ser, ou não ser, aquele que se desejaria, ou, ainda, aquele de que a esterilidade nos priva”.

Os candidatos à adoção devem ter “uma ideia do lugar que a criança é chamada a ocupar na economia psíquica dos futuros pais” –Hamad (p. 79). Devem entender que as dificuldades existem e isso não significa desistir de seu papel. Terão que lidar com as sequelas dos sofrimentos passados pelo filho, oferecer um coração compreensivo e apoiar.

Superar os problemas com firmeza, paciência e amor. Nada se resolve rápido, num passe de mágica. A mudança de vida, com a vinda do filho, é radical.

Muitos pais adotivos recebem pressão externa sobre sua função adotiva, enfrentam comentários, olhares direcionados para o “filho diferente”. Não se preocupar com as opiniões alheias. Filtrar. Se for preciso, buscar ajuda de profissional qualificado.

Há pais que se ocultam, encobrem seus sentimentos de dúvidas e dificuldades no início da vida adotiva. Ficam temerosos, acham que serão julgados e não procuram auxílio.

As crianças, agora FILHOS, não sabem se comunicar. Sua linguagem é formada por vocabulário pobre e somatizam suas emoções: adoecem. Expressam seus conflitos com dor de barriga, ouvido, garganta e têm pesadelos.

Pais: olhem para seus filhos. Sorrir, cativar, estimular. Aprender a ler a linguagem gestual e o silêncio. Ter sempre a mão estendida para abraçar e o coração aberto para captar e demonstrar amor. Tornar-se pais é gratificante e ao mesmo tempo difícil: educar um ser ainda frágil e concorrer com uma sociedade repleta de assombrações como a droga, a sexualidade doente (DST, HIV e comportamentos sexuais precoces), a violência e incertezas.

Referências

Balancho, L. S. (2012). Ser Pai Hoje – A Paternidade em toda a sua Relevância e Grandeza. Curitiba: Juruá.

Hamad, N. (2002). A criança adotiva e suas família. Rio de Janeiro: Companhia de Freud

Ladvocat, C., & Diuana, S. (2014). Guia de Adoção – no Jurídico, no Social, no Psicológico e na Família. São Paulo: Roca

Adoção de Crianças Maiores

Numa pesquisa que realizei junto aos pais que adotaram uma criança maior e que foi publicada no “Adoção: exercício da fertilidade afetiva”, Paulinas, 2008, pág 60, e por acreditar estar atual, repasso.

1-Dificuldades percebidas nas crianças:

  • Consciência e memória do passado;
  • Marcas evidentes da vida já vivida;
  • Provocação para testagem – “Vou voltar para o abrigo” ou ”Você não é minha mãe”.
  • Possibilidade de ter sido devolvida;
  • Agitação, nervosismo;
  • Indefesa;
  • Vulnerável;
  • Instabilidade emocional;
  • Rupturas afetivas;
  • Grande carência;
  • Dor por não estar na família de origem;
  • Sentir-se rejeitado;
  • Dificuldade de adaptação escolar;
  • Vocabulário fraco e errôneo;
  • Solidão e isolamento;
  • Não tem apego a pessoas e seus pertences;

2-Sobre o passado da criança:

  • Frustração e revolta;
  • Traumas e medo;
  • Desconhecimento de afeto não amou e não foi amado;
  • Baixa autoestima;
  • Perda da infância na Instituição;
  • Falta de estímulos educativos;
  • Passado triste não impede nova adaptação;

3-Nos primeiros contatos percebe-se:

  • Carência afetiva;
  • Frustração pelo abandono;
  • Insegurança e ansiedade;
  • Diferentes hábitos e valores;
  • Não sabe o que é família (pois nunca teve família real );
  • Esforço para agradar;
  • Esforço para se identificar;
  • Não sabe como reagir aos estímulos positivos;
  • Gestual de defesa;
  • Sentimento de menor valia;
  • Baixa autoestima;
  • Necessidade de maternagem (colo…);
  • Conservação dos hábitos do abrigo;
  • Esforço e desejo de integração;

4-Reação da família extensa (avós, tios, primos)

  • Preocupação com os pais da criança;
  • Vê o filho adotivo como um intruso;
  • Vocês são corajosos!;
  • Medo da saúde: “é doente?”;
  • Será que tem “boa cabeça?”;
  • Preocupação com a herança da família adotante (bens materiais);
  • Espanto pela adoção de “criança tão grande!”;
  • Naturalidade;
  • Aceitação total;
  • “Apaixonamento posterior”;
  • Desejo de ajudar na integração;
  • Esquecimento que a criança foi adotada (aceitação);

5-Emoções da criança em relação ao abrigo:

  • Saudade das pessoas da instituição;
  • Manifesta desejo de retornar à instituição (para provocar);
  • Desejo de rever os amiguinhos;
  • Sente receio de voltar para a Instituição;

6-Em relação ao passado quando a criança comenta alguns fatos, os pais devem:

  • Ouvir atentamente, deixar falar;
  • Dar suporte emocional;
  • Demonstrar compreensão e afeto;

7-Necessidade da ajuda de um psicólogo:

  • Depende de cada criança;
  • Depende da idade e da vida pregressa;
  • Sim – pais não sabem interpretar os sinais apresentados pelo filho;
  • Sim – para ajudar a criança e os pais;
  • Sim: para melhor entender o filho;
  • Sim – para ajudar enfrentar preconceito;

8-Papel dos pais:

  • Cativar e conquistar;
  • Estar disponível afetiva, emocional e temporalmente;
  • Demonstrar aceitação;
  • Se esforçar para compreender o filho;
  • Ajudar na reconstrução de sua vida;
  • Não demonstrar estresse;
  • Evitar tensões;
  • Controlar a ansiedade e insegurança pessoal;
  • Ter serenidade;
  • Mostrar, aos poucos, as regras da casa;
  • Pensar no que e como fala;
  • Trocar a importância da genética pelo amor;
  • Respeitar as reações da criança;
  • Lembrar que a criança já tem sua personalidade;
  • Relacionamento se constrói na convivência diária;
  • Não passar problemas pessoais para o filho;
  • Não se preocupar com a aparência (não correr para o “cabeleireiro”);
  • Aceitar as particularidades do filho;
  • Dar limites claros e aos poucos;
  • Ser paciente;
  • Prestar atenção no histórico do filho;
  • Lembrar que, por debaixo de uma aparência insegura existe o desejo da criança de ser apreciada e amada;

9-Mudanças que ocorrem nas crianças com a convivência familiar:

  • Eleva a autoestima;
  • Desejo de mudar sua biografia;
  • Inaugura um novo nascimento;
  • Melhora no vocabulário geral;
  • Melhora a saúde física e mental;
  • Resgate da capacidade de amar;
  • Capacidade afetiva reestruturada (confia,demonstra sentimentos);
  • Exercita novos direitos;
  • Gratidão;
  • Aprendem a escolher e pedir;
  • Aprendem a se vestir com bom gosto;
  • Melhora o humor;
  • Aumenta o peso;
  • Demonstra medo de voltar para a Instituição;
  • Melhora o aspecto físico;
  • Assimila os comportamentos da família;
  • Integração no seio familiar;
  • O amor cicatriza feridas…
  • Olhos brilham…
  • Sorriem mais…