Pouco se fala sobre os avós adotivos. São pretendentes à adoção também, meio a distância, isto é, se os filhos em processo adotivo comunicam à família o seu desejo por esta filiação. O ideal é que os avós participem da preparação, que estejam juntos na espera dos netos.
Toda gestação, seja consanguínea ou pela via judicial, apresenta alegrias, medos, dúvidas, preocupações e esperanças. Será preciso preparar o enxoval para a chegada do neto. Enxoval de conhecimentos, informações, expectativas e aceitação.
Sim… Aceitação de um neto que chegará com um DNA desconhecido o qual, os avós, deverão aprender acolher, respeitar e amar. Terão que renunciar ao neto que teria seus traços genéticos e aceitar outro que virá e desejará ter o carinho dos avós. Estes talvez nem tiveram avós e nem entendem a linha familiar existente.
Como será este neto? Pequenino, mais crescido, adolescente? Será um neto de verdade? Cada caso terá peculiaridades, anseios e emoções diversas. Irá aprender ser neto e os avós aprenderão serem avós e formarão uma comunidade familiar.
A vinda de um neto pequenino trará sentimentos de alegrias, ternura, proteção e aconchego. Receberá colo e carinho, isto é, se os avós estiverem prontos para recebê-lo . Irão acompanhar seu crescimento e ocasionalmente ficarão com ele para dar uma folga para os pais. Veja bem: ocasionalmente. Os avós não tem o compromisso de cuidar e educar continuamente. Estarão acompanhando, brincando, ajudando quando necessário.
A chegada de um neto mais crescido, talvez com cinco, sete anos de idade é diferente. Já teve uma vivência familiar, tem suas memórias boas e difíceis. Sim. Boas memórias também pois poderão ter tido amigos, animal de estimação entre outros. Normalmente as famílias pensam apenas nas dificuldades. Será preciso entender seu comportamento e não ficarem questionando sobre o passado. Ouvir e apoiar. Haverá momentos em que a criança fará seus comentários e narrativas de seu vivido.
Neste caso a aproximação e convivência com os avós e familiares deverá ser vagarosamente construída e será normal, dependendo muito da família extensa (tios, primos, amigos). Cada situação é única. Mesmo que cheguem netos irmãos, cada um terá assimilado sua vida de uma forma e poderão ter comportamentos diferentes.
A família extensa preparada, pronta, haverá aceitação, caso contrário poderão surgir rejeições. Poderá acontecer preconceito e afastam a criança.
Os pais que já tem um ou mais filhos precisarão maior preparação, diálogos e conversas e os avos não poderão fazer diferenças entre os netos, principalmente se pequenos. Estes netos crescerão e como todos poderão continuar próximos dos avos ou se distanciarão seguindo suas vidas.
O neto que chega estará entrando num novo ambiente familiar, social e com novas situações e possibilidades. Se for um neto adolescente com certeza viveu muitas histórias, emoções e situações. Tem condutas e comportamentos desenvolvidos, muito esperto e maduro para muitas situações e muito infantil para outras. Geralmente seu desenvolvimento emocional e diferente da sua idade cronológica, registral. As marcas de seu vivido não irão desaparecer.
O ideal seria que a preparação dos futuros pais fosse acompanhada pelos futuros avós e familiares próximos. Irem visitar o futuro neto no período de aproximação deixando inicialmente os pais criarem os primeiros contatos e vínculos. Se os avós não estiverem cientes desta adoção ao saberem levarão um “ susto” o que não será positivo.
Avós não são pais. São apoiadores, os que reúnem as famílias, contadores das histórias ,mimarão a criançada. Já sabem que as crianças não são frágeis e servem de percepção do que é o envelhecimento, fragilidade da saúde passando aos jovens que a vida tem fases que serão vividas por todos.