Adoção de Crianças Maiores

Numa pesquisa que realizei junto aos pais que adotaram uma criança maior e que foi publicada no “Adoção: exercício da fertilidade afetiva”, Paulinas, 2008, pág 60, e por acreditar estar atual, repasso.

1-Dificuldades percebidas nas crianças:

  • Consciência e memória do passado;
  • Marcas evidentes da vida já vivida;
  • Provocação para testagem – “Vou voltar para o abrigo” ou ”Você não é minha mãe”.
  • Possibilidade de ter sido devolvida;
  • Agitação, nervosismo;
  • Indefesa;
  • Vulnerável;
  • Instabilidade emocional;
  • Rupturas afetivas;
  • Grande carência;
  • Dor por não estar na família de origem;
  • Sentir-se rejeitado;
  • Dificuldade de adaptação escolar;
  • Vocabulário fraco e errôneo;
  • Solidão e isolamento;
  • Não tem apego a pessoas e seus pertences;

2-Sobre o passado da criança:

  • Frustração e revolta;
  • Traumas e medo;
  • Desconhecimento de afeto não amou e não foi amado;
  • Baixa autoestima;
  • Perda da infância na Instituição;
  • Falta de estímulos educativos;
  • Passado triste não impede nova adaptação;

3-Nos primeiros contatos percebe-se:

  • Carência afetiva;
  • Frustração pelo abandono;
  • Insegurança e ansiedade;
  • Diferentes hábitos e valores;
  • Não sabe o que é família (pois nunca teve família real );
  • Esforço para agradar;
  • Esforço para se identificar;
  • Não sabe como reagir aos estímulos positivos;
  • Gestual de defesa;
  • Sentimento de menor valia;
  • Baixa autoestima;
  • Necessidade de maternagem (colo…);
  • Conservação dos hábitos do abrigo;
  • Esforço e desejo de integração;

4-Reação da família extensa (avós, tios, primos)

  • Preocupação com os pais da criança;
  • Vê o filho adotivo como um intruso;
  • Vocês são corajosos!;
  • Medo da saúde: “é doente?”;
  • Será que tem “boa cabeça?”;
  • Preocupação com a herança da família adotante (bens materiais);
  • Espanto pela adoção de “criança tão grande!”;
  • Naturalidade;
  • Aceitação total;
  • “Apaixonamento posterior”;
  • Desejo de ajudar na integração;
  • Esquecimento que a criança foi adotada (aceitação);

5-Emoções da criança em relação ao abrigo:

  • Saudade das pessoas da instituição;
  • Manifesta desejo de retornar à instituição (para provocar);
  • Desejo de rever os amiguinhos;
  • Sente receio de voltar para a Instituição;

6-Em relação ao passado quando a criança comenta alguns fatos, os pais devem:

  • Ouvir atentamente, deixar falar;
  • Dar suporte emocional;
  • Demonstrar compreensão e afeto;

7-Necessidade da ajuda de um psicólogo:

  • Depende de cada criança;
  • Depende da idade e da vida pregressa;
  • Sim – pais não sabem interpretar os sinais apresentados pelo filho;
  • Sim – para ajudar a criança e os pais;
  • Sim: para melhor entender o filho;
  • Sim – para ajudar enfrentar preconceito;

8-Papel dos pais:

  • Cativar e conquistar;
  • Estar disponível afetiva, emocional e temporalmente;
  • Demonstrar aceitação;
  • Se esforçar para compreender o filho;
  • Ajudar na reconstrução de sua vida;
  • Não demonstrar estresse;
  • Evitar tensões;
  • Controlar a ansiedade e insegurança pessoal;
  • Ter serenidade;
  • Mostrar, aos poucos, as regras da casa;
  • Pensar no que e como fala;
  • Trocar a importância da genética pelo amor;
  • Respeitar as reações da criança;
  • Lembrar que a criança já tem sua personalidade;
  • Relacionamento se constrói na convivência diária;
  • Não passar problemas pessoais para o filho;
  • Não se preocupar com a aparência (não correr para o “cabeleireiro”);
  • Aceitar as particularidades do filho;
  • Dar limites claros e aos poucos;
  • Ser paciente;
  • Prestar atenção no histórico do filho;
  • Lembrar que, por debaixo de uma aparência insegura existe o desejo da criança de ser apreciada e amada;

9-Mudanças que ocorrem nas crianças com a convivência familiar:

  • Eleva a autoestima;
  • Desejo de mudar sua biografia;
  • Inaugura um novo nascimento;
  • Melhora no vocabulário geral;
  • Melhora a saúde física e mental;
  • Resgate da capacidade de amar;
  • Capacidade afetiva reestruturada (confia,demonstra sentimentos);
  • Exercita novos direitos;
  • Gratidão;
  • Aprendem a escolher e pedir;
  • Aprendem a se vestir com bom gosto;
  • Melhora o humor;
  • Aumenta o peso;
  • Demonstra medo de voltar para a Instituição;
  • Melhora o aspecto físico;
  • Assimila os comportamentos da família;
  • Integração no seio familiar;
  • O amor cicatriza feridas…
  • Olhos brilham…
  • Sorriem mais…

Adoção: Almas Unidas

Adotar é vincular a sua vida com outra vida. É unir almas. É acolher. É romper histórias, vencer obstáculos e preconceitos: superação!

É um ato repleto de alegria, emoção, fé e esperança. É um encontro de desejos: do pretendente e da criança que se transformará em FILHO. Esses desejos regidos por compromissos e construções. É irreversível, irrevogável, permanente.

Adotar não é para salvar uma criança e nem para resolver problemas dos adultos. São vidas e histórias que se fundem exigindo investimento emocional, boa vontade, determinação para construir um vínculo permanente. Por isso os adultos devem refletir muito para evitar rompimentos no pós-adoção.

Por isso adotar é uma construção rodeada de medo, insegurança, dúvida. Por outro lado, é um universo repleto de esperança, força e amor. É motivado pelo desejo e afeto, mas concretizado pelo direito de ser cidadão. Há dor e sofrimento de ambas as partes envolvidas, ato bilateral, com vitória afetiva sobre a origem genética.

Andrei (p. 89) coloca que “Ninguém jamais adotou uma criança feliz. Eles, sem exceção, são retratos vivos dos mais pungentes dramas”. Como esses futuros pais irão lidar com essas situações? Como desejar que essa criança tenha, de imediato, uma resposta satisfatória, comportamento adequado? É um exercício constante de amor, dedicação e paciência.

Adoção é um conceito profundo, responsável e que exige concordância familiar na decisão. Que lugar essa criança irá ocupar na família? Será apenas mais uma pessoa no círculo familiar? Será uma criança ou um filho? Neto? Primo?

Adoção: filho para sempre, sem laços sanguíneos, com mistérios, desconhecimentos, formando encontros e ligações pelo caminho da vida.. Deverá ser um desejo real, com atitude adotiva, afeto, empatia e disponibilizar a oportunidade para um encontro com quem será o esperado filho.

Adotar não é apenas um ato jurídico. Há sentimentos, obstáculos, sofrimento, momentos difíceis e exige libertação mental de mitos, conceitos e preconceitos. O adotante deverá ser o gestor de sua mente, desenvolver resiliência, reciclar suas angústias, dúvidas e matar seus fantasmas.

A adoção será ótima para a criança se for boa para os pais. Pais sentindo-se pais para a criança sentir-se FILHO, pois estará entrando numa família onde não nasceu e completando o núcleo familiar.

É ato jurídico definitivo não gerado pela natureza biológica e que transformará pessoa ou casal em família, trazendo esperança e compromisso. Para isso será necessário maturidade, disponibilidade psicológica dos adultos para acontecer uma convivência saudável.

Adotar é um encontro de almas que viveram (ou ainda vivem) os sofrimentos que permeiam os dois lados, do adotante e do adotando, e esse encontro deverá levá-los para uma construção familiar segura e feliz.

Adoção é apenas um processo que os pais enfrentam para serem pais e a criança para se tornar FILHO. Como diz Laroche (p.76) “A adoção ocorre antes, depois temos um filho como os outros”. Simples, só não esquecer disso.

É o que sempre dizemos nos cursos aos pretendentes: não espere a chegada de uma CRIANÇA. Espere a chegada de um FILHO!

Antes de ser Mãe

Maio é mês das MÃES.

Maio também é o mês da Adoção.

Sendo mãe pela via consanguínea ou adotiva, a mulher é MÃE.

É aquela que constrói vidas.

Por isso a homenageio, transcrevendo o texto a seguir.

ANTES DE SER MÃE

Antes de ser mãe, eu fazia e comia os alimentos ainda quentes. Eu não tinha roupas manchadas, tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe, eu dormia o quanto eu queria. Nunca me preocupava com a hora de ir para cama. Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes.

Antes de ser mãe, eu limpava a casa todo dia. Eu não tropeçava em brinquedos e nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe, eu não me preocupava se minhas plantas eram venenosas ou não. Imunizações e vacinas, então, eram coisas em que eu não pensava.

Antes de ser mãe, ninguém vomitou e nem fez xixi em mim, nem me beliscou sem nenhum cuidado com dedinhos de unhas afiadas.

Antes de ser mãe, eu tinha controle sobre minha mente, meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos. E dormia a noite toda.

Antes de ser mãe, eu nunca tive que segurar uma criança chorando para que os médicos pudessem fazer testes ou aplicar injeções. Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam. Nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha, nem fiquei sentada horas e horas olhando um filho dormindo.

Antes de ser mãe, eu nunca segurei uma criança só por não querer afastar meu corpo dela. Eu nunca senti meu coração se despedaçar quando não pude estancar uma dor. Nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida e que pudesse amar alguém tanto assim. E não sabia que adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe eu não conhecia a sensação de ter meu coração fora do meu próprio corpo. Não conhecia a felicidade de alimentar uma criança faminta. Não conhecia este laço que existe entre a mãe e seu filho. E não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe eu nunca me levantei a noite toda, a cada 10 minutos, para me certificar de que tudo estava bem. Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser uma mãe. Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes. Por tudo e apesar de tudo, obrigada Deus por eu ser agora um alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo.

Obrigada Deus por permitir-me ser Mãe!

(Texto de Silvia Schimidt)

Família

Em tempos em que se discute o Estatuto da Família, coloco na COLUNA MENSAL alguns comentários:

Nos dicionários encontramos a definição de família como sendo um conjunto de pessoas aparentadas, que vivem na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos.

A família constituída pela adoção é diferente: marido e esposa não são parentes e os filhos que chegam também não. Mas são família !!!!

Frase do papa Francisco sobre família-“ A família é o elemento essencial para todo e qualquer progresso humano e social sustentável”.

Na publicação feita pela CONANDA, (p.108) temos :

“Família refere-se não apenas ao grupo formado pelos pais ou qualquer um deles e seus dependentes, mas, aos diferentes arranjos familiares resultantes de agregados sociais por relações consanguíneas ou afetivas, ou de subsistência e que assumem a função de cuidar dos mesmos”.

As famílias contemporâneas são formadas por um casal tradicional, ou só pai, ou só mãe, ainda pai-pai  ou mãe-mãe, nestes casos por adoção.  O importante  será o pertencimento do filho e a construção de sua identidade individual e social. Estas novas configurações familiares rompem com o fator consanguíneo e se estabelecem alianças numa parentalidade afetiva. É a família eudemonista, isto é ,busca a felicidade nos laços de afeto.

Barros,S.R. in Cápua (p. 54) trata desta questão do afeto: ”Da família ,o lar é o teto, cuja base é o afeto. O lar sem afeto desmorona ,nele a família se decompõe. Por isso o direito ao  afeto constitui – na escala da fundamentalidade – o princípio dos direitos humanos operacionais da família, seguido pelo direito ao lar,  cuja essência é o afeto”.

A família nuclear mudou. Aquela tradicional que transmitia a vida, o nome patronímico e mantinha um patrimônio se transformou e atualmente vale é o sentimento de “pertencer” á uma família.  Vemos  ainda a grande procura por casais desejando  tratamentos revolucionários, fertilizações assistidas devido a valorização da família consanguínea.

A família é um conjunto de atores que formam um ninho ou um núcleo fundamental da sociedade. O ideal seria que este grupo fosse capaz de proteger, cuidar, apoiar e desenvolver o potencial de seus filhos, o que nem sempre acontece.

O grupo familiar é um espaço ideal para a criança aprender, crescer, resolver suas necessidades e receber o nutriente afetivo para ser feliz. É também um lugar onde ocorrem conflitos e se somam incompreensões se tornando uma referência imperfeita para os filhos.

  A felicidade familiar está na simplicidade, nos momentos especiais, numa conversa, tudo em pequenas doses diárias. Nada é contínuo. São períodos ocasionais que devem ser aproveitados com tranquilidade .Sorrir . Abraçar. Ter rituais particulares, muito companheirismo e cumplicidade.

Vamos pensar no filho que chega na família  pelo processo adotivo. Nesta família irá formar sua nova hereditariedade social ou ambiental. Será o lugar onde deverá superar o abandono sem que este seja negado. É o lugar de conquistar dignidade.

A família irá transmitir sua cultura, estimular, colocar estímulos  vindo pelos pais ou parentes. Uma criança não é adotada por uma ou duas pessoas mas por uma família toda. O filho será plasmado pelos familiares e ali será inscrito na linhagem ascendente e descendente..

Para que haja sucesso no relacionamento familiar, entre os pais e os filhos será necessário

  • Que estes pais vivam bem, sejam companheiros e cumplices na sua vida conjugal (sejam heteros ou homoafetivos);
  • Que usem a mesma linguagem na comunicação com os filhos.Um diz sim outro diz não e a criança fica confusa.Entrem num acordo antes;
  • Sejam claros e afetivos;
  • Disponham de uma presença familiar de qualidade;
  • Brinquem com os filhos pequenos;
  • Usem do diálogo franco e amistoso;
  • Aproveitem a criança enquanto ela é criança. O tempo passa, eles crescem e deverão seguir suas vidas tal qual os pais fizeram.
  • Boa Sorte !

Referências:

Cápua,V.A (2009)-“ Adoção Internacional-procedimentos legais”-Juruá.

Conanda-CNAAS (2009)-“ Orientações Técnicas-Serviço de Acolhimento para Crianças e Adolescentes”-Brasília.

Pauliv de Souza-“(2015)-“ Pós-Adoção”-Juruá

Mesada para os Filhos

É uma quantia em dinheiro que periodicamente os pais dão aos filhos. As crianças e os adolescentes dependem dos pais para adquirirem bens de consumo que desejam, seja por luxo ou necessidades pessoais.

Depois de certa idade os filhos precisam de uma mesada para que tenham consciência sobre o valor do dinheiro e o que se pode fazer com certas quantias.

O início da mesada educativa poderá acontecer por volta dos 5 ou 6 anos, quando demonstram desejo de consumir sozinhos. Será a “semanada” pois ainda terão dificuldades para administrar seus ganhos. Aos 11 anos já poderão receber uma mesada quinzenal mas ainda precisam ser acompanhados nos seus gastos, ajudando-os estabelecer metas e prioridades.

Servirá para formar hábitos e também aprender o valor do trabalho incentivando utilizá-lo da melhor maneira, fazendo durar e aprender economizar para adquirir bens que deseja comprar com o que recebe.

Ajudará também a aprender os cálculos matemáticos além de uma ótima oportunidade de ensinar os pequenos a lidar com finanças. A tarefa não é simples, tem regras e, para que dê certo, exige comprometimento de pais e filhos.

O importante é que a quantia e a data combinadas devem ser cumpridas rigorosamente pelo responsável por fazer o pagamento. Ao mesmo tempo, a criança tem de entender que, se o dinheiro acabar antes, vai ter que esperar até a data acordada para receber novamente.

Os pais que ficam penalizados com o filho que “ficou sem dinheiro” e antecipam a mesada, perdem a oportunidade de ensinar que será necessário administrar rendimentos e escolher o que e quando comprar com eles. Os pais devem estar de acordo com a regra estabelecida e que um deles e apenas um seja o pagador.

Poderão combinar a realização de certas tarefas (guardar brinquedos, sapatos etc.) e ter um ganho extra, um “bônus” ou então, combinar a quantia e ir fazendo descontos quando não cumprirem as tarefas estipuladas.

Ensinar anotar os gastos e os custos. Se for adolescente, a mesada poderá servir para pagar o ingresso do cinema, as figurinhas das coleções, sorvetes, lanches e também aprender poupar para adquirir algo especial que deseja e entender os limites do dinheiro.

Quanto dar ao filho? Inicialmente dependerá de como é o perfil familiar, os ganhos dos pais, respeitando o orçamento familiar e o meio social em que vivem. Se os filhos forem mais de um, cada um receberá quantias adequadas a sua idade. Vivemos numa época muito consumista e descartável, bom momento para ensinar os valores de vida ligados a isso.

Importante será não exagerar no valor oferecido, para não criar um hábito negativo e não dar dinheiro todo dia. Se acontecer da criança não cumprir os combinados poderá perder parte da mesada. Por isso será interessante acordar como tudo será feito, particularmente se o filho já tem entendimento.

Com a mesada ensina-se a planejar, investir, guardar, cuidar das cédulas não rasgando ou escrevendo, significado de caro ou barato, aprender equilibrar receita e despesa, economizar para adquirir algo.

Os pais não devem ficar dando presentes continuamente. Além do exagero e de ser desnecessário estimulam o querer mais e mais. Respeitar as datas normais com o aniversário, dia da criança, Natal. Ganhar é diferente de precisar.

Volta às aulas do meu filho que foi adotado

Quando pensamos no vocábulo escola, geralmente imaginamos um estabelecimento de ensino onde há projetos, planejamentos, professores capacitados que irão construir os conhecimentos que serão adquiridos numa determinada sequência. É o momento da aprendizagem formal.

A aprendizagem informal acontece na escola da vida, ou seja, na família, na sociedade onde se vive, na rua, pela mídia, enfim continuamente, dependendo da percepção de cada um, seja criança, jovem  ou adulto.

No que diz respeito ‘a socialização de uma criança adotada com pouca idade, a adaptação escolar seguirá os passos comuns de qualquer criança; os pais poderão escolher uma escola de sua preferência. Se chegar maiorzinho deverão analisar a situação com muita calma.

Qual a melhor escola? Para Araujo (p. 71) “Ao escolherem a melhor escola para seu filho, os pais devem optar por aquela cujo método de ensino seja compatível com a educação que é dada em casa. Esta escolha repercutirá no resto da vida dele”. Realmente, a escola é um marco na vida das pessoas.

Segundo Mora, (p. 452), “A escolha de uma escola deve ser feita com o olhar atento às características de cada criança: ela será feliz no ambiente que a instituição escolhida oferece? Ela vai se sentir à vontade? Encontrará um ambiente no qual poderá desenvolver suas vocações e seus desejos?”.

No caso da adoção de uma criança maior, os pais devem ficar atentos para a escolha da escola.

1-Qual o nível de maturidade deste filho?

2-Já frequentava alguma escola?

3-De que nível?

Muitos pais sonham com a matrícula do filho em determinada escola de referência de sua comunidade.Acontece que ali estão crianças que já possuem um bom vocabulário, já viajaram, tem conhecimento de língua estrangeira. Como a criança adotiva,com defasagem social ficará?

Será excluída? Será objeto de curiosidade? Sua autoestima se comprometerá. Ela ainda está insegura na sua posição de filho e ainda terá que enfrentar esta situação escolar.

Qual a solução?

Consolidar a adaptação na família, frequentar uma escola pequena que o entenda e o ajude nesta nova situação.Há casos de adoção de um segundo filho.O primeiro já está  integrado na escola e adaptado. O segundo tem defasagem. Como fazer? Conversar com escola e ter bom senso em resolver a situação.

A família e escola deverão estar unidas. Os pais devem frequentar as reuniões ,buscarem informações e dialogarem continuamente com os professores.Com isso o rendimento escolar tende a se fortalecer.

A família é a maior escola informal para nossa vida. Nela aprendemos amar e onde iremos aprender os modelos comportamentais que levaremos vida afora. Ali, a criança que chega por adoção, construirá sua personalidade, seu caráter e aprenderá a viver. Há a absorção  dos papéis de pai, mãe, o que é ser marido ou esposa, além da influência dos tios, primos, avós, vizinhos.

A criança adotada com mais idade precisará de muitos estímulos. Precisamos lhe apresentar o mundo, levar ao teatro, cinema, museus, mercados, feiras, enfim, integrá-la no meio que viverá. Desenvolver seu vocabulário e ter muita paciência pois as coisas acontecem lentamente.

A criança adotada mais crescida poderá vir com algumas dificuldades, sejam de maturidade ou cognitivas. Algumas instituições tem convênios com escolas públicas ou privadas. Se de imediato entram numa escola elitizada demonstrarão um vocabulário empobrecido frente aos colegas, que já fizeram viagens e tem conhecimentos de língua estrangeira. Este novo filho corre o risco de ser excluído ou diminuído frente ao grupo. Os pais devem ter bom senso e primeiro consolidar a adaptação na família, fortalecendo-o . Depois mudará o endereço escolar se o desejar.

D’Andrea (p. 81) comenta que: “Um outro ambiente em que a diversidade da experiência adotiva é vivida é o escolar, e pode ser uma experiência em que a criança é integrada ou marginalizada”.

Muitos professores não adquiriram conhecimentos sobre adoção na sua formação acadêmica e se surpreendem quando o aluno revela sua origem. Há momentos em que passam achar que certas situações que acontecem com todos alunos, para aquele especificamente, é devido a adoção.

O papel da escola é trabalhar as diferenças, mas sem fazer diferença entre os alunos. Há professores que ficam “penalizados” ao saber que o aluno é adotivo. Raça, estrutura familiar, credos devem ser respeitados e as crianças não devem ser superprotegidas ou rejeitadas por terem passado pela adoção. Entre os alunos, seus colegas, é difícil encontrar rejeição.

Nos livros didáticos pouco encontramos a respeito da adoção. Há muitos momentos oportunos em que o tema poderia entrar. O ambiente escolar é onde se encontram jovens de diferentes classes sociais, etnias e é o local adequado para reformular conceitos, relações humanas. É uma oportunidade dos professores aprenderem lidar com a diversidade.

Outra a situação comum acontece até que os pais recebam a adoção definitiva do filho: a criança só poderá usar o nome patronímico (nome da família) dos novos pais depois de terminado o processo adotivo. No período de guarda manterá o nome que consta no seu antigo registro de nascimento. Isso pode gerar dificuldades escolares para os novos pais e para o filho, pois o sobrenome antigo será usado. Quando mudar o sobrenome terá que reconstruir sua identidade além de ser alvo de curiosidade dos colegas.

Os pais devem procurar fazer um acordo com a escola solicitando que, ao menos oralmente, não usem o antigo sobrenome. Ainda, a criança, se estiver em fase de alfabetização, terá que aprender grafar seu antigo sobrenome, dificuldade encontrada em muitos casos.

Há casos em que as mâes, mesmo estando em “ Licença Maternidade” coloca o filho que acaba de chegar numa escola de período integral. Sai da Instituição onde vivia “ fechado” e vai para outro lugar onde ficará o dia todo. O início da vida familiar exige dedicação dos pais.

Sugestões de trabalho para os professores:

  1. Há escolas que costumam pedir foto da mãe grávida. É quando há alunos adotivos? Substituir por desenho ou figura de MULHER GRÁVIDA.
  2. Ou solicitam foto pessoal dos alunos de quando eram bebês. Fazer um trabalho sobre os bebês em geral-com recortes de figuras.

 

Sugestão aos pais sobre o pedido de fotos: imprimam algum bebê na internet que lembre seu filho e está solucionado. Se pedirem foto da mãe grávida; imprimam uma grávida qualquer e troque o rosto dela pelo seu… pronto! Isso deverá ser acordado com o filho que já sabe que foi adotado.

  1. Dia das Mães ou dos pais: trabalhar o papel do pai e da mãe em geral, sem se fixar nos pais dos alunos. Dia de agradecer pela vida recebida. Estas datas comemorativas deveriam ser substituídas pelo DIA DA FAMÍLIA. Nem sempre os pais podem comparecer nas festas devido o trabalho. Há filhos de pais separados também. Nas escolas públicas há muitos alunos das instituições. Tudo fica difícil para estas crianças que se conscientizam, mais e mais, de sua situação de exclusão.
  2. Mostrar ao aluno que há outras formas de famílias: crianças sem pai ou sem mãe, devido viuvez, separação conjugal, internamento por HIV, prisão, havendo pessoas que passarão a cuidar das crianças exercendo o papel do ausente. Podem ser os avós, padrinhos ou o Estado na questão da institucionalização. O importante é aprender viver com a diversidade.
  3. Datas comemorativas: aproveitar o dia 25 de maio, “Dia Nacional da adoção”, dia 7 de setembro que é Dia da Mãe Pátria, e outras, sempre fazendo ligações com a vida real dos alunos.
  4. Tipos atuais de famílias – com novos casamentos ou uniões onde serão adotados os filhos existentes de outras uniões. Discutir isso.

Bibliografia:

Araujo,C.A-(2005)-“Pais que educam:uma aventura inesquecível”-Sp-Gente

Mora,E-Psicopedagogia infanto-adolescente”Grupo Cultural.

Pauliv de Souza-(2014)-“Adoção e a preparação dos pretendentes”-PR-Juruá.

Dezembro : Mês da Adoção

José-pai adotivo ; Jesus filho adotado.

Dezembro : festejamos o Natal que nos lembra a história  de um menino  que nasceu como muitas das nossas crianças nascem : à margem da sociedade. Nasceu , dizem alguns, numa gruta , outros nos narram que foi num estábulo.

Esse menino que veio revolucionar o mundo chegou já sendo ameaçado de morte por Herodes e suas primeiras visitas foram de pessoas  desconhecidas : os Reis Magos. Continue lendo “Dezembro : Mês da Adoção”