Sexualidade do Filho Adotivo

Se o filho chegou bebê, bem novinho ele estará na fase oral de sua sexualidade: fase em que a boca é o centro de tudo. Mamadeira, mamas da mãe (a mãe adotiva pode, sim, amamentar), leva tudo à boca, lambe, testa o mundo pelos lábios.

A criança depois de 2-3 anos entra na fase anal-descobre que produz algo, que sempre fez, mas não tinha conscientização disso. Será importante receber seus resíduos sem mostrar nojo, reprimir ou castigar. As idades mencionadas não são rígidas, cada criança terá sua maturidade diferenciada.

A seguir vem a fase fálica, ou seja, a descoberta de seus genitais. O menino “ainda” hoje é valorizado por certos pais por possuírem órgão visível e a menina sente que nela falta algo.

Convem salientar que os tecidos que formam o menino e a menina tem a mesma origem. Os lábios vulvares correspondem ao saco escrotal e o clitóris ao pênis.

Com a puberdade virão as transformações provocadas pelos hormônios. Os jovens gostam ou não gostam do que acontece: pelos púbicos, axilas, mamas e crescimento do genital masculino. Alguns se sentem felizes com a fase, outros se envergonham.

E os adotivos?

Tudo igual. Os menores irão recebendo explicações dos pais, os maiores virão com muita coisa esclarecida ou deformada.

O toque na pele, o abraço será apreciado ou rejeitado, dependendo do seu passado vivido.

Se aconteceu violência física ou sexual será preciso entender seu medo do outro, têm medo de se despir, ser ajudado no banho.

Importante ir, vagarosamente entendendo seu filho (a). Passar confiança e amor.Dialogar,buscar ajuda se preciso for.

Regressão.

A criança ou adolescente poderá regredir para renascer na nova família e ali viver as fases não vividas. Poderá voltar à fase oral , pedir para mamar na mãe. Explicar que não é possível, oferecer mamadeira, brincar de tornar-se bebê.

Com a fase anal poderá acontecer a evacuação,xixi na roupa ou na cama. Masturbação, pois sente prazer e é uma forma de mostrar insegurança (Até adultos nervosos diante de uma situação buscam o WC).

Há casos em que assaltantes em residências deixam fezes (seu produto) nas casas como forma de “pagar” pelos danos causados.

Sexualidade

-é fundamental para o bem estar das pessoas.

  • As perguntas das crianças sobre sexualidade deveriam ser ouvidas, investigadas e respondidas dentro dos limites do seu interesse.
  • As curiosidades e dúvidas sexuais das crianças, quando atendidas, contribuem para um desenvolvimento afetivo e intelectual mais harmônico.
  • Há vários jogos e brincadeiras sexuais entre as crianças que fazem parte da curiosidade e do desenvolvimento da sexualidade infantil.
  • As crianças deveriam ter a possibilidade de conversar com seus pais ou outras pessoas de sua confiança a respeito da sexualidade.
  • A ausência da resposta sobre questões sexuais gera angústia e inquietação nos jovens.
  • A repressão da curiosidade sexual pode ter repercussões na aprendizagem e no desenvolvimento emocional.

É na família que se forma o núcleo do desenvolvimento cultural dos filhos e as bases das atitudes sexuais. Ali receberá noções de como construir sua vida e como expressar sua sexualidade.

Criança.

  • É curiosa sobre o assunto;
  • Sua personalidade se forma nos primeiros anos;
  • Se quer saber é porque tem interesse;
  • Responder de forma adequada ao seu limite de idade e compreensão.
  • Erotismo presente

A criança precisa aprender:

  • Decidir e escolher;
  • Perceber situações;

Aprofundando conhecimentos.

Sexualidade é uma conduta adquirida, de base biológica, com sua fonte instintiva expressa de acordo com o desenvolvimento e normalidade psicossexual com parâmetros socioculturais do lugar e época em que vivemos.

Tem caráter modificável, plástico, permutante. Envolve personalidade, maturidade física e psíquica além da formação do indivíduo. É uma marca humana vivenciada a partir dos desejos e escolhas afetivas psicossociais.

Sexualidade é uma energia que nos encaminha para o amor, ternura, contato, integração. Influencia nossos sentimentos, emoções e ações, a saúde física e mental. É um processo presente em todas as fases da vida. Envolve comportamentos e varia com as diferentes culturas e épocas.

“A sexualidade é um componente fundamental da personalidade humana, um modo de ser e de se manifestar, de se comunicar com os outros, de sentir e expressar o amor humano” (carta encíclica).

 Sexo é um sentimento de como um indivíduo se percebe, é uma ENERGIA positiva. É sentir-se homem ou mulher, por dentro, independente dos órgãos genitais. Palavra hoje usada para indicar relacionamento sexual ou coito.

Construindo nossa sexualidade: a realidade social e cultural onde vivemos, cresce e desenvolve a pessoa através dos agentes socializadores, que originam, condicionam, estimulam ou reprimem determinados tipos de aprendizagem, que possibilitam a construção de uma sexualidade: mais, ou, menos saudável, plena, feliz e prazerosa.

Sexualidade ideal.

  • É aceita como energia;
  • Defende a Educação Sexual;
  • Percebe a vivência evolutiva;
  • Entende a liberdade como valor assumido;
  • Integra-se na totalidade da pessoa;
  • Encontra-se nos projetos de vida;
  • Pode ser sublimada;
  • Está integrada na maturidade.

Educação sexual.

  • Aprendizagem informal pelo qual se toma conhecimento da sexualidade ao longo da vida.
  • É educar uma criança para ser homem ou mulher.
  • Conjunto de informações práticas e valores, habilidades, significações e expressões de sexualidade em sociedade.

Educação Sexual-Preparação da nova geração para que se torne um homem novo, mais capaz física e mentalmente, mais saudável, mais feliz e com maior alegria de viver.

Ética para educar

  • Respeito pela verdade;
  • Respeito pela igualdade e dignidade;
  • Reconhecimento do direito de livre-arbítrio
  • Direito de cada um seguir seu caminho.

Como educar:

  • Sincera, verdadeira, integral;
  • Clara, científica, simples;
  • Natural, segura, delicada;
  • Realista, respeitosa, completa;
  • Variada, ampla, objetiva;
  • Afetuosa, tranquila, serena;
  • Prudente, sem falsos medos;
  • Sem fingimentos ou deformações.

Meios para educar

  • Comunicação não verbal;
  • Diálogos, bate-papos;

Recursos:

  • Revistas, livros, artigos;

Informações por estranhos

A criança ou adolescentes e até adultos recebem fragmentos informativos, cometem erros de interpretação. Haverá lacunas, medos incompreensão, sem vínculos afetivos, sem cumplicidade e com linguagem inadequada, passando a ideia que é assunto proibido em casa.

Outras dificuldades

  • Influência dos meios de comunicação;
  • Conceito de pecado;
  • Desencontro com Igreja;
  • Material pornográfico disponível;
  • Preferência pela linguagem chula;
  • Dupla moral na educação homem x mulher;
  • Desencontro da linguagem escolar x domiciliar;
  • Interpretação errônea dos conceitos básicos;
  • Pais culpando a escola por tudo que acontecer de errado com seus filhos;

-Pais

  1. Acham que a criança é assexuada, são despreparados, omissos, deixando como obrigação da escola que muitas vezes não sabem como fazer;
  2. Preocupados com o profissional que orientará;
  3. Religião, vergonha, nível social;
  4. Não ficar puxando o assunto, deixe a criança perguntar ou, se a criança não pergunta criar situações para ver o seu interesse.
  5. Responder a verdade;
  6. Não esticar as explicações;
  7. Seja adequado a maturidade da criança
  8. Use vocabulário entendível.
  9. Dificuldade dos pais será maior se não iniciar cedo.

Etapas da Aprendizagem.

  1. Ingenuidade-nem sabe que não sabe. Não sente falta.
  2. Descoberta-sabe que não sabe. Quer aprender.
  3. Aprendizado-sabe que sabe: tem poder natural sobre quem não sabe. ( no caso dos maiores)
  4. Sabedoria-nem lembra que sabe: o saber está incorporado-age sem pensar-é automático.

Educação Sexual favorece

  • Intercâmbio; entre pais e filhos,
  • Professor e alunos;
  • Favorecendo contato emocional íntimo e maturidade em todos os níveis.

“Um princípio fundamental em Educação Sexual é preferível chegar um ano antes, que um dia depois”.

Conhecimento não é aquilo que você sabe, mas o que você faz com aquilo que sabe”.

(Aldous Huxley)

“O homem, ao final, decide por si mesmo. Em suma, a educação deve ser educação para a capacidade de decidir” (V.Frankl).

Conclusão

Durante minha vida profissional, como professora de Ciências Biológicas me vi envolvida com as perguntas dos alunos. Nos anos 60 os pais pouco conversavam sobre o assunto e os alunos viam na professora uma oportunidade de falar. Por que menstruamos? O que sentimos quando beijamos? O que é permitido durante o namoro? Coisas que hoje são totalmente diferentes embora haja pessoas com dificuldades pessoais. Há uma grande educadora sexual em casa-a televisão e suas novelas que são reprisadas em horário da tarde.

Nos anos 80 e 90 trabalhei com cursos e palestras de Educação Sexual.

Escrevi algumas coisas válidas até hoje. Confira:

Sugestão de meus trabalhos bibliográficos:

  • Convivendo com seu sexo-3 volumes-(crianças, púberes e adolescentes) Ed Paulinas;
  • Sexo: energia presente em casa e na escola-(para pais e professores)-Paulinas;
  • Orientação Sexual: conscientização, necessidade, realidade: Juruá.

Nestes livros poderá ler o assunto mais ampliado, particularmente no segundo, para pais.

 

DEVOLUÇÃO: revivência do abandono, quando o sonho da adoção se transforma em pesadelo. Desesperança, medo, solidão.

Texto de Isabel L F BITTENCOURT-Assistente |Social-São Bento do Sul-SC

“Falar de devolução de crianças é, no mínimo, constrangedor e incômodo. A expressão nos remete à concepção da criança enquanto coisa, objeto. Não é isto que pensamos e desejamos para as nossas crianças, mas, infelizmente, é desta forma que elas são vistas e tratadas quando a sua permanência já não é mais desejada na família. Negar esta realidade ou camuflá-la com termos sutis não nos ajudará a enfrentar essa difícil situação a que estão expostas crianças e adolescentes. Alguns autores fazem uso do termo “restituição” ou “desistência” para substituir a indesejável palavra “devolução”. São apenas formas diferentes de falar de um mesmo problema social. Entendemos ser preciso encarar de frente esta questão – crianças são devolvidas como objeto – e promover ações no sentido de prevenir tais ocorrências”[2].

MOTIVOS DA DEVOLUÇÃO? aceitarmos que existem motivos para se devolver uma criança assumida em adoção é aceitar a própria devolução.

Contudo,  os adotantes enumeram motivos ao devolver uma criança recebida em adoção, são sempre fúteis e todos, indiscutivelmente todos, responsabilizam a criança pelo ato (devolução) praticado por eles, os adultos.

De acordo com Hália Pauliv de Souza[3], entre os comportamentos citados na devolução, está a “desobediência, o vocabulário errado, abrem gavetas, vasculham a casa, pegam objetos, são grosseiros, respondem, comem fora de hora, não sabem usar garfo e faca, choram na hora do banho, não querem pentear o cabelo, têm atraso escolar”. Ou então, os adotandos apresentam algum comportamento regressivo ou de teste, próprio da fase de adaptação à nova família. O que era pra ser amor e doação se transforma em cobrança e rejeição. 

 

Processo jurídico x Processo afetivo: distantes do processo legal, a criança acredita ter ganho uma nova família.

As crianças, ao serem apresentadas aos adotantes, projetam neles a realização do seu sonho de ter uma família e os assumem afetivamente e socialmente na condição de pais. Mesmo os adolescentes, embora mais conscientes do processo legal, desejam muito se tornarem filhos e investem na relação, num misto de medo e esperança. Ao tomarem a decisão da adoção, os adultos prometem, às crianças e adolescentes que levam pra casa, uma família, amor, aconchego e a condição de filhos àqueles que já tinham perdido esse lugar. Cria-se a expectativa de uma vida melhor, de um sonho realizado, dá-se concretude á adoção a partir do envolvimento afetivo e emocional. Longe do processo jurídico, a adoção – entendida a partir do olhar da criança – acontece no imaginário infantil a partir do momento em que é levada para casa e começa a chamar os adotantes de pai e mãe. E assim se colocam os adotantes: no papel de pai e mãe. O tempo da criança é diferente do tempo dos adultos. Para a criança o tempo urge, e o tempo de amar e ser amado é agora. 

A devolução rompe com esse sonho e causa mágoas e dores profundas no ser, pois que, ao retornarem à situação anterior – acolhimento familiar ou institucional – trazem consigo a desesperança, a frustração, o sentimento de menos valia, a culpa pelo fracasso da relação e, consequentemente, fecham-se para uma nova tentativa de colocação familiar. “Não quero correr o risco de ser devolvida de novo”, disse-me uma menina de 9 anos, ao explicar que não queria mais ser adotada. Sua irmã, 7 anos, internalizou a culpa que lhe foi atribuída pelos adotantes: “Eu fazia coisa muito, muito, muito errada”. 

ADOÇÃO É UM ATO VOLUNTÁRIO: ninguém obriga ninguém a adotar. É uma escolha que exige responsabilidade. Não há margens para incertezas, senão a certeza de que será para sempre. 

A retórica de que quem devolve “não estava preparado para a adoção” também precisa ser rebatida. Novamente há uma tentativa de atribuir a outro a responsabilidade pelo ato de quem voluntariamente devolve, da mesma maneira que voluntariamente decide pela adoção. Neste sentido, alude SOUZA[4]:                       

               

“Os pais, enquanto pretendentes, procuram ESPONTANEAMENTE os Fóruns e solicitam sua habilitação para adoção. Adoção é um ato intelectual e VOLUNTÁRIO construído por quem deseja ser pai/mãe. (…) Os pretendentes, futuros pais, passaram por entrevistas, leram o histórico da criança e estavam cientes das possíveis dificuldades. No momento da convivência real, já na casa dos novos pais, essa criança, com o coração repleto de esperança, conheceu a possibilidade de ser filho. (…) Passado um tempo, mas segura, testa o amor que julga receber. Os pais arrependidos… não é o filho idealizado e desejado. Retorno para a instituição de acolhimento” (SOUZA, 2015, p. 65). 

Continua a autora:                                          

 “Existem as surpresas, pretendentes qualificados, mas decepcionam na hora da intimidade com a criança. Muitos pretendentes não se mostram totalmente durante as entrevistas. Passam uma imagem do que não são, talvez levados pelo desejo de se tornarem pais mais rapidamente. Não há possibilidade de “prever” um comportamento na hora da crise entre os adotantes e o adotado. (SOUZA, 2012. p. 80)          

PREPARAÇÃO PARA A ADOÇÃO: envolve questões objetivas e subjetivas. 

O “estar preparado” é da ordem da subjetividade do sujeito e, muitas das vezes, somente após a chegada da criança maior (ou das crianças, no caso de irmãos) que estas questões subjetivas vêm à tona, quando ocorre o choque entre o filho idealizado e o filho real/possível.

BITTENCOURT (2012)[5] aplicou uma pesquisa com pais por adoção de crianças maiores e com profissionais de psicologia que atenderam crianças maiores em processo de adoção. O resultado da pesquisa traz à baila a questão da subjetividade dos pais frente às dores, medos e amarguras trazidos pela criança maior que chega na família.        

 As crianças adotadas maiores, geralmente, chegam marcadas pela dor, desfiguradas pelo desafeto, amarguradas pelo sentimento de menos valia e infligidas em sua integridade física, emocional e psíquica. Nesse contexto negativo, a família adotante aparece como fator de proteção com capacidade para mudar o curso de vida destes sujeitos e construir juntos, com base no afeto e respeito, uma nova história. Contudo, esta família precisa ser afetiva, acolhedora, continente e muito, mas muito paciente. (…) A adoção de criança maior faz ressurgir um emaranhado de sentimentos e pulsações adormecidas, que reaparecem em forma de conflitos e censuras (BITTENCOURT, 2012. P. 32). Em seu trabalho, BITTENCOURT apresenta recortes das entrevistas realizadas com pais por adoção e que confirmam o enunciado: 

 

 As palavras do ENTREVISTADO 4, bem ilustram esse dito: “O filho por adoção (maior) tem o poder de abrir nossas caixas de sentimentos que estavam trancafiadas há séculos e de certa forma confortavelmente esquecidas num lugar qualquer. (…) tudo naquela criança nos remete ao passado e nos obriga a reviver nossas piores experiências, que de tão traumáticas que foram na infância nos fazem repelir qualquer tipo de aproximação dela conosco. Nós projetamos na pobre criança nossos maiores fantasmas”. O ENTREVISTADO 1 tem a mesma sensação de volta ao passado: “A teimosia dela lembra de como eu era teimosa com a minha mãe e isso me incomoda. (BITTENCOURT, 2012, p. 32)                  

Compreende-se do exposto que é comum aos processos de adoção de crianças maiores a existência de conflitos entre adotantes e adotando, de ordem objetiva e subjetiva, pois que se trata de uma relação de mão dupla. Adultos e crianças trazem para a relação a sua própria história de vida. É preciso disponibilidade afetiva e o desejo de querer investir na vinculação, dando um significado diferente para suas histórias.

A psicoterapia é um espaço essencial de escuta para elaboração e ressignificação dos traumas vividos pela criança (e pelos adultos) ao longo de sua vida. E os adotantes precisam estar receptíveis à ideia de buscar ajuda, e não somente para a criança que chega, mas para toda família. SOUZA (2012) acredita que os pais que desistem de um filho (devolvem), buscam solução para seus próprios conflitos, afastando de casa quem desencadeou o desconforto pessoal. Nós vemos no outro aquilo que nos incomoda e que está em desacordo com o estado mental e com nossos valores e crenças.

MARCAS QUE FICAM: ​ As consequências da devolução 

No entendimento de SOUZA (2012), a devolução pode se dar por incapacidade dos adotantes, mas será a criança que terá crises, punindo-se, regredindo no comportamento, isolando-se do meio social com vergonha por ter sido devolvida, sente-se humilhada, desenvolve comportamento hostil ou agressivo, como meio de defesa, atraso no desenvolvimento físico e cognitivo e apresenta grande dificuldade para fazer novas vinculações. Perde seu fio de esperança e por isso tem dificuldade de desenvolver o apego, perde a confiança nos adultos e por isso tem medo de sofrer de novo. 

A devolução destroça a autoimagem da criança, deixando-a insegura quanto ao seu lugar no mundo, à sua identidade e o sentimento de pertença. A devolução a submete a criança à revivência do abandono, com a consequente desesperança no futuro. É nesse cenário que se discute se cabe ou não responsabilização jurídica para os autores desta violência.

RESPONSABILIZAÇÃO JURÍDICA DOS ADOTANTES QUE DEVOLVEM: os danos emocionais, físicos e psíquicos para a criança são indeléveis. Isso é fato.

No meio jurídico este é um tema controverso, ainda são poucas as ações judiciais de responsabilização civil (danos morais) ou criminal (por violência psicológica ou física) de quem devolve em processo de adoção. Contudo, a leitura do art. 186, combinado com o 927 do Código Civil permitem o entendimento da necessária responsabilização jurídica. 

Uma devolução importa, sempre, em violência psicológica, no mínimo, pois o ato é precedido de ameaças, agressões verbais e xingamentos, desprezo, isolamento, constrangimento e atribuição de culpa à criança ou adolescente.  Implica na transgressão do poder/dever de proteção do adulto responsável. E mais, não raras as vezes, são submetidas a castigos imoderados, negligência nos cuidados, tapas e surras, caracterizando situação de maus-tratos psicológicos e físicos, crimes previstos no Código de Processo Penal (arts. 136, 146 e 147) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (art 232).

A Lei 13431/2017 traz a especificação da violência psicológica:

“Art. 4o -Para os efeitos desta Lei, sem prejuízo da tipificação das condutas criminosas, são formas de violência:

I – …….

II – violência psicológica: 

a) qualquer conduta de discriminação, depreciação ou desrespeito em relação à criança ou ao adolescente mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, agressão verbal e xingamento, ridicularização, indiferença, exploração ou intimidação sistemática (bullying) que possa comprometer seu desenvolvimento psíquico ou emocional;

b)….”.

A violência psicológica é ainda pouco considerada e punida legalmente, por ser uma violência invisível, sem marcas físicas. No entanto, deixa severas marcas na formação da personalidade e no desenvolvimento psíquico e cognitivo de crianças e adolescentes. 

Souza (2012, p. 41), defende que “Os adultos que devolvem uma criança deveriam ser juridicamente responsabilizados por tal ato”, Para a autora, se existe consequências para uma criança devolvida –  incluindo perder a chance de ter uma adoção – também deveria haver para os adultos que o fazem. Toda devolução importa, no mínimo, em prática de violência psicológica contra a criança ou adolescente devolvido. A responsabilização civil e criminal deste ato terá reflexos na sociedade, na medida em que protege a criança e a tira do lugar de “ré” – ela é sempre a culpada – para colocá-la no seu devido lugar, de vítima e de sujeito de direitos. 

O estágio de convivência, previsto legalmente, deve ser entendido do ponto de vista da proteção da criança, de sua centralidade e não o contrário, focado nos adultos/adotantes, como se fosse um período para que pudessem fazer um “test drive”,  ver se gostam ou não, se atende ou não às suas expectativas e idealizações, se é ou não a criança boazinha e obediente. E, ao não atender às necessidades dos adultos, é devolvida como se fosse uma “mercadoria com defeito”.

Eu sei, é frio e doído pensar desta forma, mas é assim que as crianças se sentem ao serem devolvidas. Não foram boas o bastante para serem merecedoras do amor dos adotantes.   

Devolução: Precisamos conversar sobre esta triste realidade… Adoção é ato sério, envolve vidas, sentimentos, sonhos, esperanças, chances, destinos e corações já machucados de crianças e adolescentes. 

REFERÊNCIAS:

[1] Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária.

[2] BITTENCOURT, Isabel L. F. Toda Criança tem direito à uma família legal. Artigo subsídio da Campanha Faça Legal. São Bento do Sul, 2004.

[3] SOUZA, Hália Pauliv. Adoção Tardia: devolução ou desistência de um filho? A necessária preparação para Adoção. Curitiba: Juruá, 2012.

[4] SOUZA, Hália Pauliv de. Pós-adoção: depois que o filho chegar. Curitiba: Juruá, 2015.

[5] BITTENCOURT, Isabel L. F. Adoção de Crianças Maiores: afeto na superação da violência infantil. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). PUC/Curitiba, 2012

Família

Nos dicionários encontramos a definição de família como sendo um conjunto de pessoas aparentadas, que vivem na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos.

A família constituída pela adoção é diferente: marido e esposa não são parentes e os filhos que chegam também não. Mas são família!

Papa Francisco diz que “A família é o elemento essencial para todo e qualquer progresso humano e social sustentável”.

Na publicação feita pela CONANDA (p. 108) temos “Família refere-se não apenas ao grupo formado pelos pais ou qualquer um deles e seus dependentes, mas, aos diferentes arranjos familiares resultantes de agregados sociais por relações consanguíneas ou afetivas, ou de subsistência e que assumem a função de cuidar dos mesmos”.

As famílias contemporâneas são formadas por um casal tradicional, ou só pai, ou só mãe, ainda pai-pai ou mãe-mãe, nesses casos por adoção.. O importante será o pertencimento do filho e a construção de sua identidade individual e social. Essas novas configurações familiares rompem com o fator consanguíneo e se estabelecem alianças numa parentalidade afetiva.

A família nuclear mudou. Aquela tradicional que transmitia a vida, o nome patronímico e mantinha um patrimônio se transformou, atualmente vale o sentimento de “pertencer” a uma família. Vemos ainda a grande procura de casais desejando tratamentos revolucionários, fertilizações assistidas, devido à valorização da família consanguínea.

A família é um conjunto de atores que formam um ninho ou um núcleo fundamental da sociedade. O ideal seria que esse grupo fosse capaz de proteger, cuidar, apoiar e desenvolver o potencial de seus filhos, o que nem sempre acontece.

A adoção é feita por três gerações, pais, avós e os menores da família – primos ou futuros irmãos. Os avós inscrevem o neto, a família extensa acolherá se a criança for DESEJADA e não para preencher um ninho vazio. Inserir em toda a rede familiar, sem desvalorizar a origem adotiva ou achar que a criança é intrusa, entendendo que houve ruptura na herança genética, aceitando esse fato tranquilamente.

O grupo familiar é um espaço ideal para a criança aprender, crescer, resolver suas necessidades e receber o nutriente afetivo para ser feliz. É também o lugar onde ocorrem conflitos e se somam incompreensões, se tornando uma referência imperfeita para os filhos.

O mundo atual é violento e ameaçador. Pais passam muito tempo fora de casa e a comunicação entre os membros poderá ter falhas e com isso a dificuldade de formar vínculos acontecerá. Por isso será importante a criação de uma rotina e o plantio de muito amor, carinho e diálogo.

Família é uma escola da vida. Na escola formal (colégio) recebemos informações, aprendizagem, instrução. A educação é alçada na família. Os pais são os primeiros e principais educadores, protetores, socializadores e orientadores.

É um lugar de autoridade, segurança, competições, brigas, oportunidades (boas ou más), onde cada componente tem uma personalidade e uma vibração energética peculiar. Onde seus membros se amparam, se perdoam, se constroem e possuem uma ligação civil permanente.

As famílias são dinâmicas. Sucessivas alterações acontecem e a chegada de um novo membro, seja na família nuclear ou extensa, trará nova formatação. Pode ocorrer mudança de residência, de cidade, novos vizinhos, nova escola, mortes, desemprego, saúde abalada. O maior aliado na vivência familiar é o tempo. Acontecimentos diversos são contínuos.

Os pais atuais são frutos da transição educativa ocorrida nos anos passados. A mulher tem seu trabalho profissional, as crianças vivem cercadas pelos objetos eletrônicos, recebem muita estimulação, desafios e desde muito cedo vão para as creches, escolas, além das atividades extras (estudam uma língua estrangeira, esportes entre outros).

A felicidade familiar está na simplicidade, nos momentos especiais, numa conversa, tudo em pequenas doses diárias. Nada é contínuo. São períodos ocasionais que devem ser aproveitados com tranquilidade. Sorrir. Abraçar. Ter rituais particulares, muito companheirismo e cumplicidade.

Vamos pensar no filho que chega à família pelo processo adotivo. Nessa família irá formar sua nova hereditariedade social ou ambiental. Será o lugar onde deverá superar o abandono sem que esse seja negado. É o lugar de conquistar dignidade.

A família irá transmitir sua cultura, estimular, colocar estímulos vindo pelos pais ou parentes. Uma criança não é adotada por uma ou duas pessoas, mas por uma família toda. O filho será plasmado pelos familiares e ali será inscrito na linhagem ascendente e descendente.

A criança que chega, se maiorzinha, conhece o jeito de sua família de origem e acha que todas são iguais: não confia de imediato, por isso irá testar. Passa por uma instituição de acolhimento, se apega aos cuidadores e pensa que foi “arrancada” de onde já estava acostumada. Vive construindo e desconstruindo sua vida, seus sentimentos e seus vínculos. Alguns cuidadores se afeiçoam às crianças e se entristecem com a sua saída, pois assumem seus cuidados e dedicam carinho.

Para que haja sucesso no relacionamento familiar, entre os pais e os filhos, será necessário:

  • Que esses pais vivam bem, sejam companheiros e cúmplices na sua vida conjugal;
  • Que usem a mesma linguagem na comunicação com os filhos. Um diz sim outro diz não e a criança fica confusa. Entrem num acordo antes;
  • Sejam claros e afetivos;
  • Disponham de uma presença familiar de qualidade;
  • Brinquem com os filhos pequenos, conversem com os maiores;
  • Usem do diálogo franco e amistoso;
  • Aproveitem a criança enquanto ela é criança. O tempo passa, eles crescem e deverão seguir suas vidas tal qual os pais fizeram.
  • Boa Sorte!

Nos dicionários encontramos a definição de família como sendo um conjunto de pessoas aparentadas, que vivem na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos.

A família constituída pela adoção é diferente: marido e esposa não são parentes e os filhos que chegam também não. Mas são família!

Papa Francisco diz que “A família é o elemento essencial para todo e qualquer progresso humano e social sustentável”.

Na publicação feita pela CONANDA (p. 108) temos “Família refere-se não apenas ao grupo formado pelos pais ou qualquer um deles e seus dependentes, mas, aos diferentes arranjos familiares resultantes de agregados sociais por relações consanguíneas ou afetivas, ou de subsistência e que assumem a função de cuidar dos mesmos”.

As famílias contemporâneas são formadas por um casal tradicional, ou só pai, ou só mãe, ainda pai-pai ou mãe-mãe, nesses casos por adoção.. O importante será o pertencimento do filho e a construção de sua identidade individual e social. Essas novas configurações familiares rompem com o fator consanguíneo e se estabelecem alianças numa parentalidade afetiva.

A família nuclear mudou. Aquela tradicional que transmitia a vida, o nome patronímico e mantinha um patrimônio se transformou, atualmente vale o sentimento de “pertencer” a uma família. Vemos ainda a grande procura de casais desejando tratamentos revolucionários, fertilizações assistidas, devido à valorização da família consanguínea.

A família é um conjunto de atores que formam um ninho ou um núcleo fundamental da sociedade. O ideal seria que esse grupo fosse capaz de proteger, cuidar, apoiar e desenvolver o potencial de seus filhos, o que nem sempre acontece.

A adoção é feita por três gerações, pais, avós e os menores da família – primos ou futuros irmãos. Os avós inscrevem o neto, a família extensa acolherá se a criança for DESEJADA e não para preencher um ninho vazio. Inserir em toda a rede familiar, sem desvalorizar a origem adotiva ou achar que a criança é intrusa, entendendo que houve ruptura na herança genética, aceitando esse fato tranquilamente.

O grupo familiar é um espaço ideal para a criança aprender, crescer, resolver suas necessidades e receber o nutriente afetivo para ser feliz. É também o lugar onde ocorrem conflitos e se somam incompreensões, se tornando uma referência imperfeita para os filhos.

O mundo atual é violento e ameaçador. Pais passam muito tempo fora de casa e a comunicação entre os membros poderá ter falhas e com isso a dificuldade de formar vínculos acontecerá. Por isso será importante a criação de uma rotina e o plantio de muito amor, carinho e diálogo.

Família é uma escola da vida. Na escola formal (colégio) recebemos informações, aprendizagem, instrução. A educação é alçada na família. Os pais são os primeiros e principais educadores, protetores, socializadores e orientadores.

É um lugar de autoridade, segurança, competições, brigas, oportunidades (boas ou más), onde cada componente tem uma personalidade e uma vibração energética peculiar. Onde seus membros se amparam, se perdoam, se constroem e possuem uma ligação civil permanente.

As famílias são dinâmicas. Sucessivas alterações acontecem e a chegada de um novo membro, seja na família nuclear ou extensa, trará nova formatação. Pode ocorrer mudança de residência, de cidade, novos vizinhos, nova escola, mortes, desemprego, saúde abalada. O maior aliado na vivência familiar é o tempo. Acontecimentos diversos são contínuos.

Os pais atuais são frutos da transição educativa ocorrida nos anos passados. A mulher tem seu trabalho profissional, as crianças vivem cercadas pelos objetos eletrônicos, recebem muita estimulação, desafios e desde muito cedo vão para as creches, escolas, além das atividades extras (estudam uma língua estrangeira, esportes entre outros).

A felicidade familiar está na simplicidade, nos momentos especiais, numa conversa, tudo em pequenas doses diárias. Nada é contínuo. São períodos ocasionais que devem ser aproveitados com tranquilidade. Sorrir. Abraçar. Ter rituais particulares, muito companheirismo e cumplicidade.

Vamos pensar no filho que chega à família pelo processo adotivo. Nessa família irá formar sua nova hereditariedade social ou ambiental. Será o lugar onde deverá superar o abandono sem que esse seja negado. É o lugar de conquistar dignidade.

A família irá transmitir sua cultura, estimular, colocar estímulos vindo pelos pais ou parentes. Uma criança não é adotada por uma ou duas pessoas, mas por uma família toda. O filho será plasmado pelos familiares e ali será inscrito na linhagem ascendente e descendente.

A criança que chega, se maiorzinha, conhece o jeito de sua família de origem e acha que todas são iguais: não confia de imediato, por isso irá testar. Passa por uma instituição de acolhimento, se apega aos cuidadores e pensa que foi “arrancada” de onde já estava acostumada. Vive construindo e desconstruindo sua vida, seus sentimentos e seus vínculos. Alguns cuidadores se afeiçoam às crianças e se entristecem com a sua saída, pois assumem seus cuidados e dedicam carinho.

Para que haja sucesso no relacionamento familiar, entre os pais e os filhos, será necessário:

  • Que esses pais vivam bem, sejam companheiros e cúmplices na sua vida conjugal;
  • Que usem a mesma linguagem na comunicação com os filhos. Um diz sim outro diz não e a criança fica confusa. Entrem num acordo antes;
  • Sejam claros e afetivos;
  • Disponham de uma presença familiar de qualidade;
  • Brinquem com os filhos pequenos, conversem com os maiores;
  • Usem do diálogo franco e amistoso;
  • Aproveitem a criança enquanto ela é criança. O tempo passa, eles crescem e deverão seguir suas vidas tal qual os pais fizeram.
  • Boa Sorte!

FONTE: Conanda-CNAS. (2009). Orientações Técnicas – Serviço de Acolhimento para Crianças e Adolescentes. Brasília.

A IMPORTÂNCIA DA FREQUÊNCIA AOS GRUPOS DE PREPARAÇÃO

No primeiro encontro “obrigatório” dos pretendentes junto ao Grupo de Apoio à adoção nota-se que alguns chegam meio contrariados, engessados, até reclamando. Dizem que pais biológicos, mesmo sendo dependentes químicos, moradores de rua, casais muito jovens não precisam de curso. Outros chegam alegres entendendo que será “um dia a menos” na espera.

Por que os que irão adotar devem passar por um curso ou grupo de preparação? Porque é uma gestação diferente, com pessoas que já levam a vida a dois por anos (ou solteiros independentes) e haverá significativas mudanças em suas vidas. Deverão construir uma parentalidade num momento, muitas vezes “num ciclo vital adiantado” e deverão refletir muitos nas mudanças que irão enfrentar.

Durante a frequência na preparação para adoção, os pretendentes irão entender o motivo da demora da chegada do filho, conforme vemos em TJMS (p. 33):

 

A demora é diretamente proporcional ao menor ou maior grau de aceitação da família quanto às características da criança. Quando surge a criança disponível para adoção, se ela não coincide com as características preferidas pelos adotantes inscritos em primeiro lugar, eles nem serão consultados e a criança será logo proposta ao pretendente da lista que tenha indicado as características dessa criança, que poderá ser o segundo, ou o quarto, ou o quinto até o último da lista.

 

A frequência nos Grupos de Preparação é importante porque:

  1. Será um momento especial para avaliarem seus limites e potencialidades para adoção;
  2. A preparação serve para “fortalecer” sua decisão de receber um filho por um caminho singular;
  3. Fará o pretendente entender que o filho precisará ter um espaço psicológico para se “reconstruir“ na vida ao lado destes pais;
  4. Saber que irão aparecer semelhanças e diferenças entre pais e o filho. E mesmo assim continuará sendo seu filho;
  5. Lembrar que, no momento oportuno, serão chamados de pai e mãe, mas para isso deverão sentir-se realmente pais;
  6. Outra questão será a avaliação do seu estilo de vida, sua estrutura, seja familiar, psicológica e profissional;
  7. Saberá da importância do casal (ou solteiro) estar desejando a adoção. Será uma decisão para toda vida. No caso do casal, se apenas um deseja e outro apenas concorda não dará certo;
  8. É o momento do “pré-natal psicológico”, sem exames, mas com estímulos e orientações para enfrentar está época repleta de ansiedade , dúvidas e expectativas;
  9. É importante também conversar sobre dificuldades que possam surgir. Os maiores entraves sempre partem dos adultos: conflitos dos pretendentes;
  10. Para informar que este filho terá desenvolvido “laços afetivos” com as pessoas com as quais conviveu na instituição. Terá saudades e poderá desejar fazer visitas;
  11. Durante a preparação será lembrado aos pretendentes a importância de colocar a família extensa no seu projeto adotivo;
  12. A abordagem dos prováveis e mais comuns conflitos, dúvidas, medos e interrogações formuladas pelos pretendentes que terão este momento especial para esclarecê-los;
  13. Serão lembrados que as crianças se desenvolvem, crescem e todos, pais consanguíneos ou adotivos devem assumir o risco que acompanha as transformações nos infantes;
  14. Durante a preparação nos grupos poderá despertar o desejo de ampliar a faixa etária do filho que esperam. Se tornam mais flexíveis e receptivos;
  15. Se conscientizarão que não irão receber um filho “parecido com eles”. Virá com história de vida, com outra carga genética e também possuem expectativas em relação aos novos pais e familiares;
  16. Poderão analisar se podem assumir uma família maior adotando grupo de irmãos;
  17. As crianças especiais também desejam ter família, querem ser filhos;
  18. Será a hora de preparar o acolhimento do filho. Futuros pais devem amadurecer, pensar no compromisso que terão entendendo que a chegada do filho trará uma nova dinâmica para todos familiares;
  19. Nos grupos ouvirão “depoimentos” dos que já adotaram e ouvirão histórias das alegrias e como estes pais venceram as dificuldades encontradas;
  20. Entenderão que a demora faz parte do processo e que cada dia que passa “será um dia a menos” para a chegada do filho;
  21. Refletir muito sobre o enfrentamento que terá com os comentários (positivos e negativos), os preconceitos e a discriminação;
  22. O maior desafio dos adotantes será o de se deixar apaixonar pelo filho e de descobrir como fazer o filho se apaixonar pela nova família, como cativá-lo e acolhê-lo. Sem isso a adoção não existirá;
  23. Receberá estímulos para resistir a tentação de abandonar tudo e reforçar o que deseja;
  24. Os ditos populares dizem que quando uma porta se fecha ainda pode se pular uma janela. Quando um sonho se desfaz, Deus os reconstrói por outros caminhos;
  25. Analisar seu perfil pessoal. Por que desejo uma criança com esta ou aquela idade? Que significados isso representa?
  26. Adotar é formar a família de forma peculiar. Aceitar esta missão de construtores de vidas.

Quando o Grupo de Reflexão finaliza a preparação espera-se que os pretendentes tenham percebido a importância desta reflexão e que assumam o compromisso da adoção com muita responsabilidade. Que seja uma adoção consciente!

 

Fonte—“ Adoção e a preparação dos pretendentes”-Hália Pauliv de Souza e Renata P.S.Casanova-Ed Juruá-pág 39

PUBERDADE: O SALTO DA INFÂNCIA PARA A JUVENTUDE! TRANSFORMAÇÃO RADICAL

Num belo dia, ao olhar no espelho, percebe-se que o corpo está mudando A transformação da infância para a juventude se inicia por volta dos 8-10 anos. Cada pessoa tem seu relógio biológico que despertará em idades variadas, mas sempre despertará. Todos tem seu momento. Não adianta querer ou não querer. Eles são diferentes nos meninos, nas meninas e não ocorrem na mesma idade, no mesmo ritmo  dos seus amigos.

Este período é chamado “puberdade” ou “pré-adolescência”. Dura 3 a 5 anos aproximadamente. É um fenômeno da natureza, todos passam por ele .É um momento em que você se compara com os colegas, alguns até com um pouco de inveja por ver que eles estão mais adiantados (ou  mais lentos) nessas mudanças. “Será que serei um cara fortão?” “Será que minha menstruação virá logo?” Quanta dúvida! Medos… incertezas… ”Estou desengonçado…estou espichando…tenho vergonha…”Vou ficar baixinho? ”Uns tem pressa de crescer, outros nem tanto.

É um período desconcertante em todos os sentidos e tem muitos  significados para seu bem estar emocional. Meninos e meninas crescem e se transformam em adultos devido a ação de hormônios que estavam num estado de dormência e despertam motivando várias mudanças nos jovenzinhos .É preciso aceitar essas mudanças como parte de seu desenvolvimento pois  é a ação da natureza  que transforma a criança em futuro adulto.

O crescimento das meninas e meninos depende de fatores hereditários, Existem exames que podem avaliar o desenvolvimento dos jovens. Há testes sanguíneos para verificar a parte hormonal e o quanto irá crescer pelo exame de raio X. O crescimento entre púberes e adolescentes é muito desigual, mesmo  entre irmãos. Cada um tem um ritmo.

Alguns ficam felizes com estas mudanças enquanto outros as odeiam. É doloroso perder um corpo infantil para ganhar outro, diferente, com novas formas .Repentinamente terão que conviver com uma nova estatura, novo porte e escutar os comentários sobre seu crescimento. A identidade infantil  será substituída pelo novo papel de adolescente e terá que se adequar ao o que a sociedade espera dele. Novas permissões ,novas normas novos valores  fazendo o jovem “passar a limpo” sua vida, se  reeditando em uma nova pessoa.

Os pais também se atrapalham, pois perdem a sua criança para ganhar um filho novo. O filho, por sua vez, descobre “novos  pais” que não são os pais idealizados na sua infância. Poderá ser um momento de crises em algumas famílias. São muitas mudanças e os pais e filhos podem demorar para lidar bem com elas.

O tempo irá passando e chegará à maturidade, que implica em ter uma nova postura frente ao mundo. As transformações acontecem em vários níveis:físico,emocional,afetivo,psicológoico,familiar,social,profissional,espiritual.Virá a noção de dever, disciplina, limites, domínio de instintos e temperamento(forma de ser) e respeito ‘as escolhas sociais e religiosas entre outras. Para a pessoa chegar neste patamar passará por uma educação. familiar diversificada.

Adoção e os símbolos natalinos

Estamos no período de NATAL. A palavra NATAL quer dizer nascimento e originou-se do latim. É uma festa sem fronteiras, o culto do nascimento, da ternura, da vida e da reflexão.

Em termos de ADOÇÃO também acontece um imenso NATAL quando nosso filho chega.

Antes do Natal temos o ADVENTO, isto é, antes da vinda, tempo de preparação e são representados pelos quatro domingos que antecedem o NATAL. As famílias enfeitam a casa, fazem orações, seguem suas tradições culturais…

O ADVENTO da ADOÇÃO também é a preparação, a espera pela vinda do filho. É uma longa espera que precisa ser muito bem preparada. Quarto? Roupas? Não. Isso faz parte mas fica para mais tarde. Preparar os adultos, frequentando os Grupos de Apoio, lendo, se informando, ouvindo depoimentos. Entendendo o que é ser pai/mãe e conhecendo as características das crianças nas diversas idades.

A ÁRVORE DE NATAL, normalmente o “pinheiro” árvore que cresce verticalmente, intermediária entre o céu e a terra. É a grande tradição do Natal. A lenda diz que Deus deixou o pinheiro com folhas ásperas, fazendo-o sempre se lamentar. Para reparar o mal e para que a árvore parasse de se queixar, tornou-o o único vegetal que conserva suas folhas no inverno e que pelo menos uma vez ao ano teria o brilho das luzes. Isso nos lembra a vida e a imortalidade.

Árvore lembra a vida, somos seus ramos e nossos filhos são os frutos. Teremos que ser, pais fortes, sábios, amorosos para que nossos frutos recebam nosso exemplo para saberem construir suas vidas.

As BOLAS COLORIDAS simbolizam as graças recebidas, representam os frutos da árvore da vida. As bolas refletem nossa imagem, nossas atitudes. Iremos refletir estas atitudes nos nossos filhos pelo exemplo de daremos.

Na nossa árvore de natal sempre existe uma ESTRELA na ponta. Representa a ESTRELA de BELÉM que guiou os reis magos até a manjedoura de Jesus. Somos estrelas na vida de nossos filhos?

As mesas natalinas normalmente tem VELAS que lembram a LUZ DIVINA. A chama cintila, serpenteia e ilumina. Assim também é a nossa vida familiar: momentos luminosos e outros que devemos alimentar com “sopros” para manter a direção e o caminho para nossos filhos.

O PAPAI NOEL lembra o pai bondoso, aquele que doa. Adoção é doação. O Papai Noel vive dentro de nossa alma representando o amor. Se é uma fantasia ou um ser mágico, é um ser capaz de unir a humanidade em torno de coisas boas: amor, ternura, paz, sentimentos, carinho e gestos.

Na infância de cada um existe um Papai Noel, com alegria no coração, esperança para a alma, com a vida como maior presente.

Somos nós, um presente para alguém?

O PRESENTE DE NATAL é uma tradição inspirada em Melchior, Gaspar e Baltasar que presentearam o Menino Jesus sendo uma expressão de nossos sentimentos por alguém. Muitas vezes os presentes substituem a atenção pessoal que deveria existir: dos pais em relação aos filhos. É algo para ser refletido por todos.

O PRESÉPIO foi montado pela primeira vez por S. Francisco de Assis, em 1223 nas região de Greccio, Itália. Montar o Presépio como “decoração natalina” nada significa. Deverá, sim, lembrar a FAMÍLIA. Família consanguínea, adotiva, só com pais, só com mães ou apenas um pai ou uma mãe, mas a família que se dedica para a construção de vidas.

O PRESÉPIO DE JESUS nos remete ao valor da simplicidade, docilidade, fé e esperança. O Presépio nos lembra a importância da família dedicada aos filhos pois a filiação é sempre um ato de desejo do adulto. Por isso a filiação é para sempre!

Que nosso NATAL seja abençoado!

Texto construído com auxílio do meu livro” Natal Especial” -Vozes. (Ver a capa em PUBLICAÇÕES—neste site)

Adoção e o dia da saudade

Na “coluna mensal” deste novembro vamos refletir sobre o que o calendário nos traz. Inicia com o “Dia de todos os santos” seguindo pelo dia de finados que prefiro chamar de DIA DA SAUDADE.

Saudades dos que partiram antes de nós ou simplesmente NASCERAM para outra vida. Acredito que assim é bem melhor.

No nosso dia-a-dia finalizamos algumas coisas e outras nascem nos trazendo sonhos e esperanças. Assim nasce a ADOÇÃO depois de finalizar um ciclo ligado geralmente com a descoberta da infertilidade ou esterilidade. Será um “dia de finados” na vida do casal. Mas será um tempo sem saudades das dificuldades passadas, das dúvidas, incertezas e decisões.

A Esterilidade ou infertilidade “doença quase sempre “intratável” pode estar presente em apenas um membro do casal e o outro precisa renunciar a sua fertilidade. Dói? Sim causa muita dor, revolta, medo, ansiedade, dúvidas. Instabilidade emocional, inferioridade, fracasso. Muitos casais até se isolam, não comparecem nas reuniões familiares onde podem ser cobrados por algo que não podem explicar. Tudo se assenta com o passar do tempo.

Descobrindo a impossibilidade de gerar surge outra questão: adotar ou não adotar? É uma decisão que não é a mesma para todos. Dúvidas, preocupação em satisfazer o parceiro, se forem casal. Discutir muito, conversar francamente e ver se serão capazes de exercitar a paternagem verdadeira.

Importante reflexão se faz necessária: desejam um filho ou apenas encobrir a infertilidade? A presença do filho adotivo irá lembrá-los da dificuldade de gerar? Isso irá repercutir na adaptação do filho e no sucesso do pós–adoção.

É a hora de se pensar na real motivação do casal (se casal). Luto mal elaborado, desejo de substituir o filho não gerado, sentimento de orfandade?

Adotar uma criança não é simples. Idealização excessiva em relação a este filho que precisará ser aceito são questões reais. O pretendente precisa desligar-se do filho não gerado para amar o que virá, renunciar a essa gravidez que não aconteceu ou à descontinuidade genética, reagir para assumir o papel de pai e não tornar a criança depositária de suas insatisfações.

O sonho de um casal é interrompido pela infertilidade ou esterilidade. Fase difícil, diálogo amortecido, ciclo natural esperado interrompido. A mulher eternizada pela ausência da barriga gestacional, o homem pela potência sexual ameaçada, identidades pessoais em conflito representando o ranço de uma época com educação machista. Encarar a realidade: somos todos seres que buscam a felicidade e tentam evitar o sofrimento. Ter coragem, determinação e desejo de encontrar um caminho para serem pais, no caso, a adoção.

Os pretendentes vivem um momento difícil, com sentimentos diversos desde insegurança, ciúme dos casais com filhos, alegria, confiança, tristeza na época de dia das mães, pais, decepção e amor. Será uma longa gravidez psicológica pela espera de um bebê envelhecido na instituição.

A adoção é um projeto de vida: planejado, incorporado em nosso ser.Com muita certeza e com consciência que terá conflitos e alegrias depois que o filho chegar.

Para que a filiação seja real, com sucesso, devem aceitar a ideia que “foram escolhidos” para serem pais pela via adotiva. Por isso o amadurecimento deste desejo é fundamental pois não há possibilidade de uma “arte final” para termos um filho ideal: filho que corresponda ao imaginário construído.

Adotar sem estar preparado, pronto, decidido, irá gerar estresse e o pós-adoção estará fadado ao fracasso. Seguir os passos necessários com calma. Lendo, conversando, analisando, preparando os familiares e amigos.

Os futuros pais tem o dever de se comprometer e cumprir o projeto assumido tanto os pais como o filho que chega tem uma história de vida anterior a esse encontro: um não poderá mudar o passado do outro mas poderão construir juntos o futuro.

Pra a construção de um futuro feliz será preciso que, se forem casal, um não esteja apenas contemplando o desejo do outro.

É preciso aceitar essa criança, filho, que não terá o desenvolvimento imaginado, que chega pela mão do Judiciário e sem manual de instruções. As descobertas mútuas serão diárias. Esses pais serão os responsáveis pela visão que a criança terá do mundo e ela se posicionará na sua vida conforme o que lhe foi transmitido.

Não existem impedimentos para serem pais. Todo ser humano deseja realizar-se plenamente, porém, a vida é um jogo com riscos e oportunidades Transformar o desejo abstrato numa realidade sólida e concreta dependerá dos adultos.

Para uma pós-adoção trabalhosa mas satisfatória, os pretendentes devem estar conscientes que irão construir a cidadania de uma criança, com disponibilidade de doar-se integralmente, atendendo as necessidades básicas e influenciando positivamente na vida desses que esperam ser filhos.

Muitos pretendentes se preparam com entusiasmo e sabedoria. Entendem que precisam ler sobre a arte de educar e sabem que serão modelos na vida do filho. A preparação deverá incluir a família extensa (avós, tios, primos, até os vizinhos) para que haja uma sintonia no projeto em pauta.

Este momento de decidir pela adoção e buscar o caminho para concretizar seu sonho é um momento de transformar a vida para uma nova fase de crescimento e construir um espaço psicológico para acolher o filho que virá!

(Texto construído com fragmentos do meu “PÓS-Adoção” – Juruá)

Afeto : mola principal no processo adotivo

Afeto e emoções estão ligados à nossa vivência pessoal e à percepção do que sentimos em determinadas situações. São expressados pela fisionomia, ritmo cardíaco, postura, gestos.

Afetos dão significados e nos preparam para uma ação, uma espécie de equilíbrio entre o corpo e o meio, surgindo de forma inconsciente. São percebidos pelas pessoas e nascem como resposta a uma situação ou contatos com outros.

Dar e receber afeto são combustíveis que nos orientam para a felicidade e segurança, proporcionam relações familiares saudáveis e equilibradas. É manifestação pessoal, não temos possibilidade de medir nem selecionar, é individual.

O afeto é a mola principal no processo adotivo, particularmente no pós-adoção. As memórias do que vivenciamos, observamos ou participamos vão se armazenando e formando nossos padrões comportamentais, tanto para os pretendentes como para o filho que passou pelas privações sociais.

Nós, seres humanos, comparados a outras espécies, nascemos desamparados, precisamos ser cuidados e nos desenvolvemos durante a infância e adolescência. Temos que aprender comportamentos, relacionamentos e controles educacionais diversos.

O afeto forma os eixos maiores que o grau de parentesco, pois não depende dos laços sanguíneos. Não existe a obrigação de amar o filho só porque nasceu de seu útero. A criança deseja e precisa ser o sujeito do afeto. Não sabe o que é família e amor familiar. O afeto é espontâneo, livre. O sangue é físico e o afeto é espiritual. Família sem afeto se desintegra totalmente.

No pós-adoção o afeto será construído e garantirá o sucesso da filiação, ao longo de um tempo de convivência. Serve para construir laços, dá potência ao relacionamento, se baseia nas atitudes dos que cercam o filho.

Nessa viagem adotiva, no depois que o filho chega, será preciso acolher, enfrentar, desenvolver uma relação afetiva para que a criança confie, acredite e se entregue totalmente.

Os problemas do desenvolvimento afetivo são observados na criança com dificuldade do sono, desobediência, não acompanham a rotina estabelecida, surgem as birras, ansiedade e conflitos familiares diversos.

A falta de afeto provoca danos no desenvolvimento da criança, traz instabilidade emocional. Por isso que as crianças, sendo bem adaptadas depois da adoção, geralmente se desenvolvem muito graças às vinculações afetivas e cuidados.

Criança e adolescente que busca aceitação “compra afeto” até com pessoas alheias à família, como na escola, dando seu lanche ou pertences para coleguinhas.

Os pais precisam acolher o filho, seja genético ou adotivo, dar atenção, usar delicadeza, evitar críticas. O amor se constrói no dia a dia, com ações, palavras, pequenos gestos. Se existe dificuldade, procurar ajuda terapêutica para corrigir os problemas de relacionamento afetivo familiar.

O mais importante será ‘sentir’ a criança ou adolescente, ter disponibilidade interior para amar e proteger, justamente os sentimentos que calcam ou suplantam os laços sanguíneos. Nada deverá ser mais importante que o sujeito que é o foco deste amor.

Depressão no pós-adoção

Os pretendentes lutam muito para conseguir adotar um filho: a organização dos necessários documentos, a preparação e a longa espera. Finalmente serão chamados. Que alegria!

A depressão após a chegada do filho nem sempre acontece e se ocorre não é revelada. Acomete geralmente a mulher. Como contar que estão angustiados se conseguiram o que mais queriam? Será essa uma das causas por que alguns interrompem a adoção?

Levinzon:

 

Na depressão pós-adoção, não há mudanças hormonais, mas pode acontecer que os pais tenham depositado tantas expectativas na chegada da criança que se sintam desanimados ou derrotados diante dos desafios diários de criar o filho recém chegado. Se isso acontecer, a ajuda de um profissional capacitado pode ser de extrema valia, ..tanto para a mãe…quanto para a criança… (p. 45)

 

O filho em casa e de hora para outra a rotina mudará. Leram muito, ouviram depoimentos e se surpreendem com a luta diária, com a mudança. O marido era o “xodó” da esposa e perde o lugar para quem chega. Se sentirá em segundo plano e poderá culpar a criança.

Licença-maternidade dos pais, tempo maior para a mãe que trabalha profissionalmente, onde é prestigiada, e agora irá ficar em casa atendendo o filho que a olha desconfiando, faz birra, chora. Outra pessoa poderá tomar o lugar dessa mãe na empresa? Seu novo diploma é ser mãe.

Junto com a alegria pela chegada do sonhado filho vem a insegurança. Seus medos afloram: poderemos dar conta de educar? Será que surgirão problemas emocionais ou genéticos? Quanta dúvida misturada com emoções gratificantes.

Se inicia um novo tempo: ansiedade da espera é trocada pela ansiedade da chegada. Quanta responsabilidade não prevista e imaginada: num um pequeno ser sob sua tutela.

Alguns pais não sentem amor imediato, não conseguem uma ligação rápida e se angustiam. O filho foi lhes indicado e talvez devesse ser o contrário: o filho escolher os pais pelo encontro do olhar. O amor é uma conquista, uma escolha.

Sentimentos contraditórios e confusos, particularmente da mulher, que pode ter dúvidas do seu instinto materno. Busca o apoio do marido, que já terminou sua licença paternidade e voltou para o trabalho. Sente culpa pelos seus sentimentos.

Os pretendentes tinham muita expectativa durante a espera e o filho que chega não correspondeu ao que esperavam. Preferiam menino, veio menina, queriam de três anos e veio de seis, sonharam com um príncipe ou uma princesa e chega uma criança real, diferente do que imaginaram. Fazem comparações com outras crianças da família, vizinhos, vem a frustração que não pode ser revelada para ninguém. O que fazer se não corresponde ao esperado? O que vão pensar deles?

Familiares questionam, dão palpites, fazem visitas inoportunas. Pais são pressionados e pressionam o filho. Descobrem que não são superpais, perdem energia, não tem suporte familiar e não buscam ajuda. Alguns acham que buscar ajuda demonstra fracasso, incompetência. Pelo contrário: solicitar ajuda demonstra o desejo da paternagem dar certo.

Tudo isso gera estresse, impaciência, exaustão, insônia. Há uma perda de humor e a resposta social é negativa. Depressão! Humor negativo, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, variação do peso para mais ou para menos. Culpa, vergonha, indecisão, fadiga, medo do desconhecido são sinais de alerta.

Muita emoção, muita novidade para aprender a lidar. Parece que haverá um surto! Tudo vem devido a expectativas, perda da rotina e falta de domínio das rédeas que antes mantinha tranquilamente.

Certas emoções básicas do ser humano ficam inconscientemente arquivadas, como a raiva da espera demorada, ansiedade, tristeza de ver que outros já receberam o filho, medo. Isso irá provocar o choro, cansaço e até a fome incontrolável (muitas novas mães engordam, enquanto outras emagrecem). O metabolismo se altera devido às mudanças externas sofridas. O cérebro fica entristecido e virá a depressão.

O importante é não esperar muito para a busca de ajuda, com humildade, com desejo de solução. Não se sobrecarregar, dar espaço para a criança que chegou e deverá se acostumar com a casa e seu ritmo. Ser flexível. É realmente um período de turbulência.

Os pais estão cansados de tanto esperar pela chegada do filho e quando esse chega se preocupam com o papel de serem pais.

Acordam para uma realidade tão esperada e quando acontece se assustam como se fosse um “ inesperado fato”.

Com a passagem do tempo tudo se acomodará. Será preciso investir no desejo para dar certo. Ir em busca de socorro adequado e rápido. Evitar acumular tensões e irritabilidade. Viver um dia após o outro. Todos adotantes enfrentam dificuldades, bem como todos os tipos de pais.

O filho será filiado e irá mudando com a idade e desenvolvimento e, principalmente, essa mãe angustiada será uma mãe de fato. O filho se insere na família, onde receberá um novo sobrenome. Nova história se constrói. Com os filhos gerados, biológicos, é a mesma coisa. Choram, desobedecem, desafiam, fazem birra, irritam e as mães se deprimem do mesmo jeito. Isso é vida e será sempre assim…

Referência

Levinzon,G.K.(2014)-“Tornando-se pais-a adoção em todos os seus aspectos”-SP-Casa do Psicólogo.

Ser Pai

Agosto chegando e traz junto a comemoração pelo “ Dia dos Pais” Inicio com as palavras dos pretendentes Sérgio e Isabel que sonham com a paternidade/maternidade.

GRÁVIDOS JUNTOS

“Perto dos sessenta anos, estou na fila para adoção. Eu e minha mulher combinamos ficar grávidos juntos. Não queremos uma gravidez comum, até porque não temos mais idade para isso; queremos uma gravidez envolvida e envolvente. Estamos assim há dois anos. A barriga da ansiedade vai crescendo. Contamos segundo a segundo e sofremos com as aflições da espera: o telefone que nunca toca, o convite para os finais de semana compartilhados que nunca chegam. Escolhemos nomes que ainda não são usados, roupas que serão vestidas, lugares da casa que serão preenchidos. Olhamos todas as noites no quarto da nossa criança a cama vazia, mas pronta e acalorada pelos nossos sonhos. Gravidez que é gravidez acontece dia a dia. O parto é agora, sempre e constante. Parimos amor e isso é o passaporte para a felicidade. O resto é vento”.

Pais-cr

Com a chegada de um filho se inicia um novo tempo: serão pai e mãe. Emoções fortes, alívio pelo final da espera ansiosa e demorada. Iremos nos amar? Tudo tem um tempo para acontecer. Dúvidas? Serão muitas. Medo? Sim, medo e incertezas chegam junto com o filho, mas com o passar do tempo virá a segurança.

A euforia inicial se transformará em preocupações, erros e acertos, descobertas, até choques com a nova realidade que surge. Exaustão e alegria se fundem. Se inicia a vida de pai e mãe… Para sempre!

Ou ainda Cardoso, V. L e Baiocchi, A. in Ladvocat e Diuana:

Tornar-se mãe ou pai por meio da adoção assemelha-se muito ao processo da gravidez biológica, mas com uma gestação de caráter focado no componente emocional. Seja na elaboração da decepção frente à descoberta da infertilidade, no desconhecimento sobre os procedimentos jurídicos, no enfrentamento de preconceitos e resistências de pessoas próximas, no medo do mito de que “todo filho adotivo é problemático” ou na necessidade de se conscientizar acerca dos processos e especificidades da construção da família adotiva. (p. 55)

Quem é esse PAI? A criança adotiva tem pouco contato com homens e até se assusta com esse indivíduo que será seu pai: um homem com voz grossa, barba, peito peludo e pés grandes.

Sentimentos e emoções se atropelam no coração desse indivíduo que tem seus limites pessoais e que agora é pai, genitor ou progenitor. Terá que gerar sentimentos de paternidade, ser forte, conselheiro e responsável por esse filho. Nova vida, novo colorido, nova visão.

Balancho, ao falar do ser pai hoje, nos brinda com seu pensamento:

Quando se é pai sem dar vida biológica – ao adotar uma criança ou ao receber num novo casamento os filhos da atual parceira – a sua função é aparentemente mais restrita, mas não menos importante. Centra-se, naturalmente, mais nos aspectos social, emocional e educativo, em detrimento do biológico. (p. 22)

Pai é a primeira pessoa mencionada na Santíssima Trindade: “Em nome do Pai e do…”. Quanta grandiosidade!

Sua figura é homenageada no segundo domingo de agosto, quando acontece o “Dia dos Pais”, desde 1953, data atribuída ao jornalista Roberto Marinho para incentivar o comércio e o faturamento do seu jornal.

A notícia mais antiga sobre um cartão para um pai, feito em argila, vem da Babilônia, feito por Elmesu.

O pai atual se entrega mais, se doa e está se libertando da antiga imagem de ser apenas o “provedor” da família. Já mostra suas emoções, participa, leva o filho para a escola, ajuda, é participativo, interage, se envolve, é disponível. Isso está confirmado por Balancho, (p. 51) “Deseja-se presente, marcante, reconhecido. Brinca, trata, dialoga, tudo faz para não ser um elemento externo à vida dos filhos”.

O pai precisa abrir espaço para entrar no coração do filho, terá que aprender a vivenciar seu novo papel. Tal como a esposa, está desgastado pela espera, pela fala jurídica, tem que ter persistência para conquistar e rever suas dúvidas.

Precisa estar preparado para amar e não poderá bruscamente “enquadrar” a criança em sua vida. Percorreu muitos caminhos e obstáculos para adotar e agora deve assumir o lugar real de pai. Terá que aprender a ser ouvinte, modelo de vida, estar atento, ter equilíbrio e disposição.

É apenas um ser humano que teve esperanças e não poderá exigir que seu filho o compense pelos seus possíveis fracassos, nem esperar que ele siga seus passos profissionais.

Os pais não são “amiguinhos” dos filhos, serão pais. Servem para a manutenção do relacionamento familiar, de respeito, confiança presença, paciência e muitas coisas mais. Bons pais não são os mais ricos, os mais estudados, mas aqueles generosos, verdadeiros e que oferecem segurança afetiva aos filhos.

O amor dos pais não é instintivo. Precisa de conquista, investimento diário, aprendizagem, ousadia e enfrentamento do imprevisível.

Sim. O tempo passará. Os filhos crescem e se temos um diálogo saudável na infância ele se prolongará vida afora. Haverá saudades e pelo meio do caminho, quando eles serão adolescentes, nós seremos os que nada sabem e os faremos “pagar os micos”. Foi assim e sempre será!

O filho que chega pela via adotiva não sabe o que é pai e mãe. Para muitos é apenas o “nome” desses adultos, que serão responsáveis por ele. A criança não tem a imagem real do significado e do papel do que é isso.

Os pais devem estar disponíveis para acolher o filho.

Esses novos pais, novos por acabarem de receber o filho, embora na idade real os pais adotivos nem sempre o sejam. Hamad (p. 69), “Depois de uma montanha de anos, o investimento do casal numa criancinha é vivido como um nascer de sol, enfim, como um projeto que vem, de repente, reconciliar com a vida”. Segue dizendo (p. 78) “Há o filho que os pais teriam querido ter, aquele que se teria querido ser, ou não ser, aquele que se desejaria, ou, ainda, aquele de que a esterilidade nos priva”.

Os candidatos à adoção devem ter “uma ideia do lugar que a criança é chamada a ocupar na economia psíquica dos futuros pais” –Hamad (p. 79). Devem entender que as dificuldades existem e isso não significa desistir de seu papel. Terão que lidar com as sequelas dos sofrimentos passados pelo filho, oferecer um coração compreensivo e apoiar.

Superar os problemas com firmeza, paciência e amor. Nada se resolve rápido, num passe de mágica. A mudança de vida, com a vinda do filho, é radical.

Muitos pais adotivos recebem pressão externa sobre sua função adotiva, enfrentam comentários, olhares direcionados para o “filho diferente”. Não se preocupar com as opiniões alheias. Filtrar. Se for preciso, buscar ajuda de profissional qualificado.

Há pais que se ocultam, encobrem seus sentimentos de dúvidas e dificuldades no início da vida adotiva. Ficam temerosos, acham que serão julgados e não procuram auxílio.

As crianças, agora FILHOS, não sabem se comunicar. Sua linguagem é formada por vocabulário pobre e somatizam suas emoções: adoecem. Expressam seus conflitos com dor de barriga, ouvido, garganta e têm pesadelos.

Pais: olhem para seus filhos. Sorrir, cativar, estimular. Aprender a ler a linguagem gestual e o silêncio. Ter sempre a mão estendida para abraçar e o coração aberto para captar e demonstrar amor. Tornar-se pais é gratificante e ao mesmo tempo difícil: educar um ser ainda frágil e concorrer com uma sociedade repleta de assombrações como a droga, a sexualidade doente (DST, HIV e comportamentos sexuais precoces), a violência e incertezas.

Referências

Balancho, L. S. (2012). Ser Pai Hoje – A Paternidade em toda a sua Relevância e Grandeza. Curitiba: Juruá.

Hamad, N. (2002). A criança adotiva e suas família. Rio de Janeiro: Companhia de Freud

Ladvocat, C., & Diuana, S. (2014). Guia de Adoção – no Jurídico, no Social, no Psicológico e na Família. São Paulo: Roca