Afeto : mola principal no processo adotivo

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Afeto e emoções estão ligados à nossa vivência pessoal e à percepção do que sentimos em determinadas situações. São expressados pela fisionomia, ritmo cardíaco, postura, gestos.

Afetos dão significados e nos preparam para uma ação, uma espécie de equilíbrio entre o corpo e o meio, surgindo de forma inconsciente. São percebidos pelas pessoas e nascem como resposta a uma situação ou contatos com outros.

Dar e receber afeto são combustíveis que nos orientam para a felicidade e segurança, proporcionam relações familiares saudáveis e equilibradas. É manifestação pessoal, não temos possibilidade de medir nem selecionar, é individual.

O afeto é a mola principal no processo adotivo, particularmente no pós-adoção. As memórias do que vivenciamos, observamos ou participamos vão se armazenando e formando nossos padrões comportamentais, tanto para os pretendentes como para o filho que passou pelas privações sociais.

Nós, seres humanos, comparados a outras espécies, nascemos desamparados, precisamos ser cuidados e nos desenvolvemos durante a infância e adolescência. Temos que aprender comportamentos, relacionamentos e controles educacionais diversos.

O afeto forma os eixos maiores que o grau de parentesco, pois não depende dos laços sanguíneos. Não existe a obrigação de amar o filho só porque nasceu de seu útero. A criança deseja e precisa ser o sujeito do afeto. Não sabe o que é família e amor familiar. O afeto é espontâneo, livre. O sangue é físico e o afeto é espiritual. Família sem afeto se desintegra totalmente.

No pós-adoção o afeto será construído e garantirá o sucesso da filiação, ao longo de um tempo de convivência. Serve para construir laços, dá potência ao relacionamento, se baseia nas atitudes dos que cercam o filho.

Nessa viagem adotiva, no depois que o filho chega, será preciso acolher, enfrentar, desenvolver uma relação afetiva para que a criança confie, acredite e se entregue totalmente.

Os problemas do desenvolvimento afetivo são observados na criança com dificuldade do sono, desobediência, não acompanham a rotina estabelecida, surgem as birras, ansiedade e conflitos familiares diversos.

A falta de afeto provoca danos no desenvolvimento da criança, traz instabilidade emocional. Por isso que as crianças, sendo bem adaptadas depois da adoção, geralmente se desenvolvem muito graças às vinculações afetivas e cuidados.

Criança e adolescente que busca aceitação “compra afeto” até com pessoas alheias à família, como na escola, dando seu lanche ou pertences para coleguinhas.

Os pais precisam acolher o filho, seja genético ou adotivo, dar atenção, usar delicadeza, evitar críticas. O amor se constrói no dia a dia, com ações, palavras, pequenos gestos. Se existe dificuldade, procurar ajuda terapêutica para corrigir os problemas de relacionamento afetivo familiar.

O mais importante será ‘sentir’ a criança ou adolescente, ter disponibilidade interior para amar e proteger, justamente os sentimentos que calcam ou suplantam os laços sanguíneos. Nada deverá ser mais importante que o sujeito que é o foco deste amor.



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