Adoção de Crianças Maiores

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Numa pesquisa que realizei junto aos pais que adotaram uma criança maior e que foi publicada no “Adoção: exercício da fertilidade afetiva”, Paulinas, 2008, pág 60, e por acreditar estar atual, repasso.

1-Dificuldades percebidas nas crianças:

  • Consciência e memória do passado;
  • Marcas evidentes da vida já vivida;
  • Provocação para testagem – “Vou voltar para o abrigo” ou ”Você não é minha mãe”.
  • Possibilidade de ter sido devolvida;
  • Agitação, nervosismo;
  • Indefesa;
  • Vulnerável;
  • Instabilidade emocional;
  • Rupturas afetivas;
  • Grande carência;
  • Dor por não estar na família de origem;
  • Sentir-se rejeitado;
  • Dificuldade de adaptação escolar;
  • Vocabulário fraco e errôneo;
  • Solidão e isolamento;
  • Não tem apego a pessoas e seus pertences;

2-Sobre o passado da criança:

  • Frustração e revolta;
  • Traumas e medo;
  • Desconhecimento de afeto não amou e não foi amado;
  • Baixa autoestima;
  • Perda da infância na Instituição;
  • Falta de estímulos educativos;
  • Passado triste não impede nova adaptação;

3-Nos primeiros contatos percebe-se:

  • Carência afetiva;
  • Frustração pelo abandono;
  • Insegurança e ansiedade;
  • Diferentes hábitos e valores;
  • Não sabe o que é família (pois nunca teve família real );
  • Esforço para agradar;
  • Esforço para se identificar;
  • Não sabe como reagir aos estímulos positivos;
  • Gestual de defesa;
  • Sentimento de menor valia;
  • Baixa autoestima;
  • Necessidade de maternagem (colo…);
  • Conservação dos hábitos do abrigo;
  • Esforço e desejo de integração;

4-Reação da família extensa (avós, tios, primos)

  • Preocupação com os pais da criança;
  • Vê o filho adotivo como um intruso;
  • Vocês são corajosos!;
  • Medo da saúde: “é doente?”;
  • Será que tem “boa cabeça?”;
  • Preocupação com a herança da família adotante (bens materiais);
  • Espanto pela adoção de “criança tão grande!”;
  • Naturalidade;
  • Aceitação total;
  • “Apaixonamento posterior”;
  • Desejo de ajudar na integração;
  • Esquecimento que a criança foi adotada (aceitação);

5-Emoções da criança em relação ao abrigo:

  • Saudade das pessoas da instituição;
  • Manifesta desejo de retornar à instituição (para provocar);
  • Desejo de rever os amiguinhos;
  • Sente receio de voltar para a Instituição;

6-Em relação ao passado quando a criança comenta alguns fatos, os pais devem:

  • Ouvir atentamente, deixar falar;
  • Dar suporte emocional;
  • Demonstrar compreensão e afeto;

7-Necessidade da ajuda de um psicólogo:

  • Depende de cada criança;
  • Depende da idade e da vida pregressa;
  • Sim – pais não sabem interpretar os sinais apresentados pelo filho;
  • Sim – para ajudar a criança e os pais;
  • Sim: para melhor entender o filho;
  • Sim – para ajudar enfrentar preconceito;

8-Papel dos pais:

  • Cativar e conquistar;
  • Estar disponível afetiva, emocional e temporalmente;
  • Demonstrar aceitação;
  • Se esforçar para compreender o filho;
  • Ajudar na reconstrução de sua vida;
  • Não demonstrar estresse;
  • Evitar tensões;
  • Controlar a ansiedade e insegurança pessoal;
  • Ter serenidade;
  • Mostrar, aos poucos, as regras da casa;
  • Pensar no que e como fala;
  • Trocar a importância da genética pelo amor;
  • Respeitar as reações da criança;
  • Lembrar que a criança já tem sua personalidade;
  • Relacionamento se constrói na convivência diária;
  • Não passar problemas pessoais para o filho;
  • Não se preocupar com a aparência (não correr para o “cabeleireiro”);
  • Aceitar as particularidades do filho;
  • Dar limites claros e aos poucos;
  • Ser paciente;
  • Prestar atenção no histórico do filho;
  • Lembrar que, por debaixo de uma aparência insegura existe o desejo da criança de ser apreciada e amada;

9-Mudanças que ocorrem nas crianças com a convivência familiar:

  • Eleva a autoestima;
  • Desejo de mudar sua biografia;
  • Inaugura um novo nascimento;
  • Melhora no vocabulário geral;
  • Melhora a saúde física e mental;
  • Resgate da capacidade de amar;
  • Capacidade afetiva reestruturada (confia,demonstra sentimentos);
  • Exercita novos direitos;
  • Gratidão;
  • Aprendem a escolher e pedir;
  • Aprendem a se vestir com bom gosto;
  • Melhora o humor;
  • Aumenta o peso;
  • Demonstra medo de voltar para a Instituição;
  • Melhora o aspecto físico;
  • Assimila os comportamentos da família;
  • Integração no seio familiar;
  • O amor cicatriza feridas…
  • Olhos brilham…
  • Sorriem mais…


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